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Trivium – “In Waves”


Alguns anos atrás, o Trivium surgiu para o mundo com os dois primeiros disco “Ember To Inferno” e “Ascendancy”, embalados pela crescente popularidade do Metalcore no cenário musical. Com os seguintes “The Crusade” e “Shogun”, a banda liderada por Matt Heafy conseguiu dar vários passos a frente do resto das bandas, trazendo influências que iam do Thrash ao Heavy Metal tradicional e elevando-os a uma das maiores promessas do Metal.

Produzido por Colin Richardson e Martyn Ford, “In Waves” é o quinto álbum de estúdio (o primeiro com o novo baterista Nick Augusto), e foi sendo mostrado aos poucos pela banda através de rádios e músicas liberadas pela internet, até o seu lançamento no começo do mês de agosto via Roadrunner, e com opiniões controversas pelo mundo.

Depois da climática introdução de “Capsizing The Sea”, berros a princípio ensandecidos, mas que surgem na sua cabeça involuntariamente, de “In Waves”, junto com o riff meio Meshugghiano, abrem o disco oficialmente com a faixa título. Já podemos perceber uma banda tentando fugir de estruturas convencionais, principalmente do Metalcore, estilo que os consagrou, apostando em melodias mais fortes, partes cadenciadas, vocais limpos mais freqüentes e as letras, que de longe são as melhores e mais introspectivas da carreira deles. Em seguida, “Inception Of The End” resgata mais do estilo americano, lembrando bandas como All That Remains e As I Lay Dying, com uma pegada caótica a mais, que parece catalisada milhares de vezes a mais na quase Black Metal “Dusk Dismantled”, trazendo uns riffs apocalípticos no melhor estilo Hypocrisy. Continuando, a controversa “Watch The World Burn” parece um híbrido muito dos doidos entre Thrash Metal e Hard Rock, e se tocada ao vivo, seria uma daquelas pra levantar a galera na parte do refrão, assim como a mid-tempo “Black”, onde Matt Heafy prova de uma vez por todas como atingiu sua zona de conforto com esses vocais limpos. E se algumas faixas atrás já havíamos visto algumas influencias do MeloDeath sueco, em “A Skyline’s Severance” ela soa ainda mais óbvia, novamente remetendo ao grupo de Peter Tägtgren e Cia, principalmente com os vocais passando do rasgado diretamente para o gutural.

A versão especial do disco vem com algumas bônus espalhadas pelo disco, e “Ensnare The Sun” é uma delas. Basicamente, algumas batucadas e umas vozes sem sentido, só pra encher lingüiça MESMO. Pelo menos, as próximas músicas são “Built To Fall” e Caustic Are The Ties That Bind”, fortes candidatas a novos clássicos da banda. A primeira preza pela simplicidade dos arranjos e melodias, e exatamente por isso funciona extremamente bem e é mais uma para cantar com os fists-in-the-air, enquanto a segunda traz novas influencias, novas idéias, um andamento complexo e uma estrutura mais ainda, exatamente aonde mora o seu diferencial. Lá pela metade, ela muda abruptamente para uma música totalmente diferente, quase uma balada e uma das mais belas passagens já compostas pelos caras. Continuando o disco, “Forsake Not The Dream” e “Drowning In Slow Motion” trazem um Trivium já conhecido, misturando Metalcore com Thrash muito bem, música bem genérica que se não trazem nada de relativamente novo, pelo menos não atrapalham em nada o andamento da audição. Em seguida, mais uma bônus, “A Grey So Dark”, uma música mais simples e melódica, no mesmo estilo de “This World Can’t Tear Us Apart” e aquela veia meio Bullet For My Valentine, mas cá entre nós, muito mais divertida. “Chaos Reigns”, depois, tem uma das letras menos inspiradas ever deles, e se não fosse o forte flerte com o MeloDeath sueco, seria uma das piores músicas já feitas pela banda, enquanto “Of All These Yesterdays” é, impressionantemente, uma belíssima balada, que por alguma razão lembra o último trabalho do Linkin Park, mas ao seu modo, óbvio. O disco fecha com a curta “Leaving This World Behind”, antagonista perfeita para a introdução do disco. Como bônus, ainda temos a já conhecida “Shattering The Skies Above”, que saiu na trilha de God Of War III e “Slave New World”, um cover do Sepultura.

O Trivium sempre foi uma banda em constante mudança, em constante evolução, buscando sempre incorporar as mais variadas influencias dentro do seu som, de forma que a cada disco novos elementos eram apresentados. Depois do técnico e absurdamente pesado “Shogun”, algumas pessoas podem olhar com desconfiança para “In Waves”, que preza mais pela melodia, pelo trabalho vocal e pela atmosfera que as músicas criam como um todo. Particularmente, enxergo isso como uma atitude respeitosa da banda, que não preferiu achar o seu lugar no cenário, se estabelecer e ficar insistindo nas mesmas idéias.

Aliás, se Matt Heafy continua tentando explorar algumas facetas da cultura japonesa, acertou em cheio na arte do disco, afinal de contas, a capa em si é sinistra como aqueles filmes orientais bizarros.

01. Capsizing The Sea
02. In Waves
03. Inception Of The End
04. Dusk Dismantled
05. Watch The World Burn
06. Black
07. A Skyline’s Severance
08. Ensnare the Sun
09. Built To Fall
10. Caustic Are The Ties That Bind
11. Forsake Not The Dream
12. Drowning In Slow Motion
13. A Grey So Dark
14. Chaos Reigns
15. Of All These Yesterdays
16. Leaving This World Behind
17. Shattering The Skies Above
18. Slave New World

Nota 9

In Waves Trivium

Tracklist

Lineup

Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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