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Persefone – “Spiritual Migration”


O minúsculo Principado de Andorra, localizado entre a Espanha e a França, sempre foi mais conhecido pelo turismo emergente desde a década de cinquenta e por ser um considerável “paraíso fiscal”, do que pelas bandas que surgem por lá. E em meio a um quase inexistente cenário, o Persefone vem desde 2001 se revelando não apenas o maior nome do heavy metal em seu país, mas também recebendo destaque por toda a Europa, por conta do seu death metal extremamente complexo e muito bem combinado com nuances progressivas.

Persefone - Spiritual Migration

Devidamente estabilizado como um sexteto, a banda retorna com Spiritual Migration, o quarto disco de estúdio, longos anos após os notáveis Core (2006) e Shin-Ken (2009), e lançado pela gravadora sueca ViciSolum Productions, traz uma proposta novamente renovada e diferente do que já foi feito anteriormente.

Após a relativamente longa introdução Flying Sea Dragons, Mind As Universe cumpre de forma muito mais do que satisfatória a sua função de abrir o trabalho, exemplificando a identidade sonora do Persefone em apenas alguns minutos: mudanças de andamento desenfreadas, tempos complexos e técnica exacerbada em todos os instrumentos, mas sem cair para a virtuose individual, e sim trabalhando em prol da organização da música. E essas características parecem estar sendo levadas a um nível muito acima do ouvido nos álbuns anteriores, como em The Great Reality, que beira o caos sonoro, tamanha a quantidade de informações a qual somos submetidos em pouco mais de seis minutos.

Não à toa, Zazen Meditation é um interlúdio dos mais atmosféricos e relaxantes, intencionalmente para deixar uma lacuna aonde fosse possível absorver a experiência anterior, e preparar para a epopeia espacial The Majestic of Gaia, que apesar de (um pouco) menos agressiva nos aspectos técnicos, vai por um lado ainda mais extremo, com elementos de death e black metal. Em seguida, Consciousness é uma longa faixa instrumental dividida em duas partes, Sitting In Silence e A Path To Enlightenment, que apesar de estarem de acordo com os temas do álbum, soam um tanto quanto exageradas e, em alguns momentos, dispensáveis, por mais bem construídas e belíssimas que sejam.

Ligeiramente mais direta, a atmosférica Inner Fullness é um dos momentos mais facilmente palatáveis no disco, agregando certa influência de groove metal ao metal progressivo mais tranquilo e um interessante trabalho de vozes e teclado. Mais um interlúdio, a bonita Metta Meditation é definitivamente mais uma preparação psicológica para Upward Explosion, aonde a banda retoma o lado extremamente técnico, chegando inclusive a esbarrar nesse lado do metalcore.

Essa tendência se mantém praticamente intacta na faixa título, aonde a banda mergulha ainda mais fundo nas influências etéreas e espaciais, e aliado ao conteúdo lírico, lembra uma versão exageradamente dinâmica e complicada do Scar Symmetry. Todos os esforços da banda, porém, vão para um caminho mais épico em Returning To The Source, como o encerramento de uma conturbada jornada, que leva a um destino tranquilo e contemplativo em seus últimos minutos.

Alguns aspectos em Spiritual Migration são impecáveis, incluindo a sua execução musical, a habilidade técnica da banda, o conceito lírico apresentado (profundo e com letras interessantes), bem como um dinâmico e variado trabalho de vozes. Porém, ainda assim, a grande realidade é que o trabalho do Persefone, em uma tentativa de dar um passo além do que já foi apresentado anteriormente, e apesar de a intenção ter sido genuína e muito bem vinda, ele parece se perder um pouco no que diz respeito a tornar o disco equilibrado.

O que isso quer dizer? Bem, temos um álbum de mais de setenta minutos, com incontáveis mudanças de andamento e toneladas de informação musical sendo despejadas incessantemente durante todo esse tempo em nossos ouvidos, de forma que a criação de um elo de identificação com cada uma das músicas se torne uma tarefa hercúlea e complicada, exigindo diversas audições para que o reconhecimento venha a ser um pouco mais simples.

Não, não existe nada de errado em inserir vários detalhes em sua música, e fazer com que a cada audição o ouvinte descubra algo novo. A questão é que as faixas longas acabam por construir um verdadeiro caos sonoro, e a experiência pode se mostras razoavelmente cansativa e prejudicada àqueles que não sabem o que está por vir ou que não estão familiarizados com o estilo.

Spiritual Migration é um desafio, e não é dos mais fáceis. Mas pode ser recompensador depois de um (bom) tempo.

Spiritual Migration Persefone

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Tracklist

01. Flying Sea Dragons
02. Mind as Universe
03. The Great Reality
04. Zazen Meditation
05. The Majestic of Gaia
06. Consciouness Pt.1 : Sitting in Silence
07. Consciouness Pt. 2 : A Path to Enlightenment
08. Inner Fullness
09. Metta Meditation
10. Upward Explosion
11. Spiritual Migration
12. Returning to the Source
13. Outro

Lineup

Toni Mestre – baixo
Jordi Gorgues – guitarra
Carlos Lozano – guitarra
Miguel Espinosa – teclado
Marc Martins – vocal
Marc Mas – bateria
Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.