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Anaal Nathrakh – “Passion”


Se você não conhece o estilo do Anaal Nathrakh, é bom que esteja avisado sobre uma coisa: é uma banda extrema, muito, mas muito muito extrema, não indicada para quem não consegue ouvir nem Melodic Death Metal. Formado em Birmingham pela dupla Irrumator (Mick Kenney – baixo/guitarra/programações) e V.I.T.R.I.O.L. (Dave Hunt – vocais), a banda começou como um Raw Black Metal dos mais porcos, mas com o passar do tempo começaram a flertar com um lado mais Grindcore e adquirir umas facetas até… melódicas (ao seu modo).

“Passion”, lançado em maio, é mais uma obra caótica, desesperada, nervosa, anti-comercial, retratando alguns dos piores sentimentos nesse que é o 6º full-length da banda.

A abertura do disco com “Volenti Non Fit Iniuria” pode enganar os mais desavisados com os seus dedilhados, mas em questão de segundos, a apreensão se transforma no mais puro caos, uma bateria insandecida, mas ao mesmo tempo ritmada, ao lado dos vocais cuspidos ao extremo (é uma PENA os caras não divulgarem as letras). Em seguida, a épica “Drug-Fucking Abomination” dá continuidade a brutalidade, elevando a um patamar acima com os efeitos vocais muito bem encaixados (que continua em todo o álbum, aliás). “Post Traumatic Stress Euphoria” é algo inconcebivelmente impossível de ser tocada ao vivo, bas alguns segundos de música para perceber isso, ao passo que “Le Diabolique Est L’ami Du Simplement Mal” tem ótimos vocais limpos (mas não se engane, a put*ria tá rolando solta ao fundo!) e licks de guitarra bem interessantes, enquanto “Locus of Damnation” é basicamente um interlúdio TENSO na metade do álbum.

“Ted Huetet Uebel” soa mais como um Black Metal, mas é, sem sombra de dúvida o vocal mais desesperado EVER em músicas do Anaal Nathrakh, e considerando o nível de insanidade das músicas, sim, isso é MUITA coisa. “Paragon Pariah”, em seguida, tem mais de Black Metal… er… quase melódico, mas ainda assim é o suficiente pra fazer muita gente desligar o álbum (e perderem o solo de guitarra inacreditável no meio da confusão!), linha que se mantém em “Who Thinks Of The Executioner?”, com o seu breakthrough de partir colunas. O disco fecha com “Ashes Screaming Silence”, uma música que se não mantém a velocidade do restante do álbum, é propositalmente mais cadenciada, mas confusa e extrema ao seu próprio modo, e “Portrait Of The Artist”, que pode até enganar com o seu título a lá Queen, mas é apenas o desfecho do disco, com efeitos e barulhos (barulhos MESMO) estranhíssimos tocando em crescendo.

Não apenas “Passion”, mas toda a discografia do Anaal Nathrakh é algo complicado. Pra quem acha coisas como Meshuggah ou Malevolent Creation bandas extremas, pode se assustar ao perceber que esse álbum está rolando e você está no canto do quarto chorando pra dentro e pedindo pela mãe. Não é algo simples, e contra indicado para quem tem tendências suicidas ou auto-destrutivas, mas é interessantíssimo de ouvir em momentos de fúria, principalmente se estiver frio/chovendo.

01. Volenti Non Fit Iniuria
02. Drug-Fucking Abomination
03. Post Traumatic Stress Euphoria
04. Le Diabolique Est L’ami Du Simplement Mal
05. Locus Of Damnation
06. Tod Huetet Uebel
07. Paragon Pariah
08. Who Thinks Of The Executioner?
09. Ashes Screaming Silence
10. Portrait Of the Artist

Nota 8

Anaal Nathrakh – “Passion”

Tracklist

Lineup

Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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