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Týr – “The Lay Of Thrym”


Vindos diretamente das Ilhas Faroe, os dinamarqueses do Týr atraíram considerável atenção do público com os seus primeiros álbuns por trazer um direcionamento Viking Metal na sua música, mas focando o lado mais épico, melódico e progressivo, sem aderir as influências mais extremas que a maioria das bandas praticam até hoje (a exemplo do Amon Amarth, Enslaved, Borknagar).

“The Lay Of Thrym” é o sexto álbum de estúdio da banda, depois da épica tríade “Ragnarok”, “Land” e “By The Light Of The Northern Star”, novamente produzido por Jacob Hansen no Hansen Studios e contando novamente com as épicas artes de Gyula Havancsák, que conseguem criar toda uma mitologia ao redor dos álbuns da banda.

Uma influencia evidente de Blind Guardian iniciam “Flames Of The Free”, uma música que mostra um Týr buscando um caminho um pouco mais direto e melódico, em contrapartida aos trabalhos mais conceituais e progressivos dos álbuns anteriores, mas sempre mantendo os refrãos no estilo “coro de batalha”. “Shadow Of The Swastika”, a música seguinte traz uma severa crítica ao nazismo (a banda faz parte de um grupo de bandas anti-fascista, aliás, que reflete nos próprios conceitos abordados por eles), sobre um instrumental mais influenciado pelo Folk e bem longe do Viking Metal extremo que estamos habituados a ouvir na maioria das bandas. E as influências das músicas tradicionais da terra original da banda continuam em “Take Your Tyrant”, mais cadenciada e muito mais épica, mas que soa muito atual, se fizermos um paralelo com os movimentos revolucionários que temos visto ao redor do mundo, enquanto “Evening Star” é uma balada do Týr que puxa para um lado mais melancólico, com uma mudança de ritmo no refrão que apesar de esquisita não ficou de toda ruim. Mas o sentimento épico da banda retorna com “Hall Of Freedom”, com seu cânticos de guerra e o quase Heavy tradicional de “Fields Of The Fallen”, mais cadenciada e focando no peso, lembrando os álbuns anteriores.

Em seguida, a banda resolveu colocar duas músicas no seu idioma natal, que sempre foram alguns dos grandes clássicos da banda e ótimos momentos nos álbuns: “Konning Hans” e “Ellindur Bóndi Á Jadri”. A primeira é uma belíssima balada de guerra enquanto a segunda parece mais uma típica música a ser tocada em tabernas ou para comemorar a chegada da época de colheita. O mais legal é que no próprio encarte eles colocam a tradução das letras, facilitando em muito na hora de acompanhar as músicas). “Nine Worlds Of Lore” retoma as letras em inglês com uma música de andamento muito próximo de alguns riffs Prog Metal, bem quebrados, em meio a condução Folk da música. O disco encerra com a faixa título “The Lay Of Thrym”, música baseada em um dos mais famosos poemas da Edda (de onde grande parte da mitologia nórdica sobreviveu), conta a história de como o gigante Thrym roubou o gigante de Thor e pediu Freyja como resgate. Galhofa como todos esses poemas eram, o próprio Thor se fantasiou de noiva, levando Loki junto também fantasiada de mulher. Várias bizarrices depois, ele recupera o martelo e mata Thrym, de uma forma nada digna, que evidentemente é diferente do retratado na capa do álbum.

O Týr definitivamente é uma das bandas únicas dentro da sua proposta Viking Metal, e mesmo apesar de sutis evoluções na sua música, ela permanece praticamente inalterada desde o começo da carreira. Isso pode incomodar algumas pessoas como agradar outras. Particularmente acho que apostando no lado mais Folk e melódico do estilo, eles criam um bom diferencial com a tonelada de bandas por aí. Além disso, suas letras conseguem fazer um paralelo muito interessante entre relatos históricos, cantos de guerra e mitologia com o cenário atual, sendo esse um dos seus maiores méritos.

The Lay Of Thrym Týr

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Tracklist

01. Flames Of The Free
02. Shadow Of The Swastika
03. Take Your Tyrant
04. Evening Star
05. Hall Of Freedom
06. Fields Of The Fallen
07. Konning Hans
08. Ellindur Bóndi Á Jadri
09. Nine Worlds Of Lore
10. The Lay Of Thrym

Lineup

Heri Joensen – Vocal / Guitarra
Terji Skibenaes – Guitarra
Gunnar H Thomsen – Baixo
Kári Streymoy – Bateria
Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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