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Unisonic – “Unisonic”


A essa altura do campeonato, todos (que se importam) já devem saber que o Unisonic é o tão aguardado projeto que traz de volta Michael Kiske e Kai hansen, a dupla que fez história no Heavy Metal na década de 80 graças aos clássicos “Keepers Of The Seven Keys”, ainda no Helloween (apesar de Hansen só ter sido incluído no lineup no ano passado).

O debut autointitulado da banda foi lançado em Março via earMusic, para alegria e nostalgia de qualquer fã de Power Metal e Hard Rocker.

A faixa que dá nome a banda abre o álbum, um Hard / Power Metal que parece ter sido deixado guardado desde os anos 80, da época dos clássicos “Keepers Of the Seven Keys”, sendo resgatada de volta a vida e remodelada para os padrões atuais, tamanha a nostalgia que salta dos alto falantes quando Kiske canta os seus versos. E o que falar então de “Souls Alive”? O seu ritmo cadenciado, os licks de guitarra, o refrão pegajoso, está tudo ali, intacto e conservado. O Hard Rock volta com tudo em “Never Too Late”, que soa como algo entre os últimos trabalhos do Avantasia e o Place Vendome, e a oitentista “I’ve Tried”, uma mezzo-balada digna da época mais farofa do Rock n’ Roll. Um momento um pouco mais climático e lembrando bastante o Metal melódico dos anos 90, “Star Rider” também consegue soar, por incrível que pareça, bem atual, assim como a divertidíssima “Never Change Me”, um dos grandes destaques do álbum.

Dinâmica, “Renegade” impressiona pelas variações na voz de Kiske, e chega a ser redundância dizer que o sujeito continua com a voz intacta, afinal de contas, as suas milhares de participações em álbuns de bandas famosas ao longo dos anos deixa isso bem claro. Mas ainda é bem impressionante, trinta anos depois ter a mesma força, não? O Heavy Metal simples e despojado de “My Sanctuary” prova isso de uma vez por todas. Mais uma faixa com um clima mais sombrio, “King For A Day” tem um ritmo bem cadenciado que até chega a destoar um pouco do restante do álbum (o que não quer dizer que ela seja inferior), assim como a melódica e belíssima “We Rise”, com aquela letra que consegue te destruir e motivar ao mesmo tempo. “No One Ever Sees Me”, balada bem “gotthardiana”, realmente muito bonita e um clima bem triste (como é de se esperar), ao contrário do positivismo que impera em todo o álbum.

Não que isso atrapalhe: em meio a tantas bandas tratando de sentimentos um pouco mais negativos, o Unisonic consegue lançar um álbum extremamente “para cima”, com base em músicas de um estilo que já viveu dias de glória e apenas os grandes nomes sobreviveram, mas atingindo resultados muito bons (ao contrário de um certo SYMFONIA projeto lançado alguns meses atrás), talvez por resgatar muitos elementos do Heavy Melódico e do Hard Rock oitentista, mas trazer para uma roupagem nova, atualizando a sua estrutura para o cenário atual. Sem contar que, o lineup do Unisonic é algo invejável, contando com dois dos maiores compositores da história do Rock alemão (Kai Hansen e Dennis Ward), que parecem ter feito neste projeto tudo que não andam fazendo em suas bandas principais (Gamma Ray e Pink Cream 69, respectivamente). Mas o mais importante é como Michael Kiske consegue roubar a cena completamente, assinando de uma vez porque ele sempre foi a maior inspiração para 90% dos vocalistas do estilo, e assim o é até hoje.

Soa datado? De maneira alguma. “Unisonic” é um prato cheio para qualquer um que começou a ouvir Metal entre o final da década de 90 e início dos anos 2000, quando o “Heavy Metal Melódico” estava em alta. Doze anos depois, é inevitavelmente nostálgico ouvir um álbum como esse.

01. Unisonic
02. Souls Alive
03. Never Too Late
04. I’ve Tried
05. Star Rider
06. Never Change Me
07. Renegade
08. My Sanctuary
09. King For A Day
10. We Rise
11. No One Ever Sees Me

Lineup:

Michael Kiske – Vocal
Kai Hansen – Guitarra
Mandy Meyer – Guitarra
Dennis Ward – Baixo
Kosta Zafiriou – Bateria

Nota 9

Unisonic

Unisonic Unisonic

Tracklist

Lineup

Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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