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Sonata Arctica – “Stones Grow Her Name”


O Sonata Arctica surgiu na metade dos anos 90 em meio a gigantesca onda (que evidentemente acabou uma década depois) de bandas escandinavas de Hard Rock e Metal que invadiram o mundo na época. Considerados os irmãos mais novos do Stratovarius (uma forma bonita de dizer que eram uma cópia descara, e com orgulho), a banda foi mudando aos poucos ao inserir elementos Progressivos aqui e ali, resultando em composições muitas vezes completamente sem sentido.

Com “Unia”, de 2007, eles atingiram um equilíbrio interessante entre o Power Metal de outrora com experimentos Prog, criando uma atmosfera teatral, contando histórias de forma relativamente única. Porém, parecem ter se perdido na loucura musica em “The Days Of Grays”, aumentando a responsabilidade em cima de “Stones Grows Her Name”, seu sétimo álbum, produzido pela própria banda e lançado pela Nuclear Blast.

O típico Power Metal finlandês (ou seja, Power-chords, licks de guitarra, bateria padrão e teclados e mais teclados) abre o disco com “Only The Broken Hearts (Make You Beautiful)” lembrando bastante o que o Sonata Arctica fez no bom álbum “Unia”, e definiu a sua sonoridade desde então, ainda que em uma versão mais simplificada. “Shitload Of Honey” segue a mesma linha, com maiores mudanças de andamento e uma variação até interessante, mas com um refrão fraquíssimo repetido a exaustão, mesmo ponto negativo de “Losing My Insanity”, que parece crescer, crescer, e simplesmente não chegar a lugar algum. Não bastasse soar um tanto quanto perdido, são tantas camadas de vozes ao mesmo tempo cantando coisas diferentes que a impressão é de que Tony Kakko gravou várias, e sem decidir qual ficaria melhor, resolveu colocar todas, resultando em uma confusão inacreditável. “Somewhere Close To You” é a típica faixa mais agressiva presente em todos os álbuns do Sonata Arctica, mas ao contrário de outras, peca pela falta de uma melodia genuína, elemento que sobra na pegajosa “I Have A Right”, acertadamente escolhida para ser o single do álbum.

“Alone In Heaven” resgata as influências mais “stratovarianas” do início da carreira e joga em uma música basicamente inexpressiva e sem um momento memorável, sequer, enquanto “The Day”, apesar de também cair no mesmo erro, tem uma estrutura interessante e uma atmosfera diferente. Apesar de a introdução dar a impressão que o Sonata iria se aventurar um pouco pelo campos do cabaret e do avant-garde, “Cinderblox” é um típico Power Metal na sua forma pura, como eles faziam no início da carreira, não indo muito além do ok. Em seguida, um ponto do alto do disco com “Don’t Be Mean”, uma bonita balada como não se via desde “Shamandalie” e fez falta nos dois álbuns anteriores.

Um capítulo a parte no álbum agora, a banda resolveu resgatar a ótima faixa “Wildfire”, do álbum “Reckoning Night” (de 2004) e fazer a continuação da história, quando eles apenas tinham começado a explorar novas ideias musicais. Pois bem, “Wildfire Part: II – One With The Mountain” é uma continuação que segue a mesma linha instrumental da primeira parte, com um clima épico e teatral, soando como o elo perdido entre o aquele álbum e o “Unia”, enquanto “Wildfire Part: III – Wildfire Town, Population: 0” é uma das peças mais pesadas e calcadas no Power/Speed clássico que o Sonata Arctica compõe há um bom tempo, fechando a trilogia de forma excelente.

Muita gente disse que a banda vinha experimentando tantas sonoridades diferentes, com a intenção de elevar o Power Metal direto outrora praticado para outro nível, cada vez mais complexo, detalhista e teatral, que por fim acabaram se perdendo no caminho, com resultados musicais desencontrados e desastrosos (vide “The Days Of Grays”). Com “Stones Grows Her Name”, os finlandeses parecem estar aos poucos reencontrando os trilhos, porém ainda não de forma completamente equilibrada: as faixas mais simples e curtas começam e terminam sem razão de existir, e com exceção das duas últimas (incríveis, por sinal), as mais experimentais acabam não fazendo sentido no balanço final. Ainda falta um cuidado maior na hora de construir melodias vocais (não adianta nada ter dezenas de camadas de voz se nenhuma delas é memorável) e conseguir equilibrar as novas ideias com a identidade que a banda foi montando desde o início. Não foi agora que eles se reergueram completamente, mas parece que ainda há esperança.

01. Only The Broken Hearts (Make You Beautiful)
02. Shitload Of Honey
03. Losing My Insanity
04. Somewhere Close To You
05. I Have A Right
06. Alone In Heaven
07. The Day
08. Cinderblox
09. Don’t Be Mean
10. Wildfire Part II: One With The Mountain
11. Wildfire Part III: Wildfire Town, Population: 0

Lineup:

Tony Kakko – Vocal / Teclado
Elias Vilijanen – Guitarra
Marko Paasikoski – Baixo
Henrik Klingenberg – Teclado
Tommy Portimo – Bateria

Pekka Kuusisto – Violino
Lauri Valkonen – Contrabaixo
Peter Engberg – Banjo
Sakari Kukko – Saxofone
Mika Mylläri – Trompete

Nota 4

Sonata Arctica 2012

Stones Grow Her Name Sonata Arctica

Tracklist

Lineup

Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

Uma resposta para “Sonata Arctica – “Stones Grow Her Name””

  1. Minhas primeiras audições desse disco também foram com um pé atrás, minha primeira impressão foi "wtf?!" Mas aí vem Wildfire II e salva tudo. <3

    E depois que eu ouvi mais, comecei a gostar mais das outras músicas. E tou gostando mais desse CD do que o The Days of Grays, e ainda tem um plus, eu consigo visualizar melhor as músicas do Stones Grow… em shows.

    Achei até mais animado, as partes pegajosas são obrigatórias ao meu ver, foi uma das coisas que me atraiu ao SA desde o começo. *_*

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