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Primal Fear – “Unbreakable”


Uma banda que já pode ser considerada clássica do Power alemão, o projeto formado por Ralf Scheepers (após a sua saída do Gamma Ray e tentativa de substituir Rob Halford) e Matt Sinner tinha como proposta inicial fazer um som descaradamente anos 80, com aquele riffs a lá Judas Priest e os grandiosos refrões do Accept. O sucesso veio com o grande “Nuclear Fire”, de 2001, e de lá pra cá a banda nunca perdeu a identidade, mas sempre buscou incrementar a sua sonoridade com sutis elementos aqui e ali, atingindo o ápice do “experimentalismo” em “Seven Seals” (2005).

Sete anos e com mais dois álbuns na discografia, a banda volta com “Unbreakable”, o primeiro sem nenhum da tríade de guitarristas que ajudaram a modelar o som do Primal Fear ao longo dos anos: Henny Wolter, Tom Naumann e Stefan Leibing deram lugar a Alexander Beyrodt e o grande guitarrista sueco Magnus Karlsson. Gravado no estúdio House of Music, na Alemanha e produzido pelo próprio Sinner, foi lançado no último mês pela Frontiers Records.

Soturna, a primeira parte da faixa título dá a impressão de que o Primal Fear simplesmente retomou o que andava fazendo desde “Seven Seals”: mais épico, melódico, arrastado, tendendo para o Power Metal e deixando um pouco de lado o Heavy tradicionalzão a lá Judas Priest. Bom, ledo engano, afinal de contas, o riff inicial de “Strike” já grita toda a sonoridade clássica aos ouvintes, e se não fosse a produção moderna, passaria fácil por algo feito na metade dos anos 80. E dá-lhe mais Metal oitentista com “Give’Em Hell”, faixa que poderia muito bem ter saído no clássico “Nuclear Fire”, uma época de letras mais inocentes (ou clichês se preferir) e composições com estruturas clássicas. Falando sobre os conceitos líricos, o Primal Fear consegue quebrar mais algumas barreiras e dar mais alguns passos à frente (ou para trás, como queiram) ao escrever “Bad Guys Wear Black”, com seus versos risíveis, que por sorte tem uma música muito boa como pano de fundo, tornando-se uma escolha ótima para ser o single. Em seguida, “And There Was Silence” caminha novamente pelo Power Metal, cheio dos adorados bumbos duplos, Power chords e dobradinhas de guitarra, além do refrão épico que tornará essa uma música preferida entre os fãs com certeza, assim como “Metal Nation”, que, novamente, apesar do conteúdo lírico bobinho, é muito divertido, certo?

“Where Angels Die”, o momento épico do trabalho, com mais de oito minutos de duração lembra os melhores momentos do ótimo “Seven Seals”, com melodias mais soturnas, belíssimos licks de guitarra, quase uma balada com interessantes mudanças de andamento (além de mais um refrão sensacional, claro). Voltando com mais Power alemão, daquele bem clássico, a faixa título na sua segunda parte é um dos momentos mais puros com relação ao estilo e com certeza é mais uma para ser cantada em uníssono pelo público (colocar um “Raise Your Fist” é garantia de sucesso), assim como “Marching Again”, possivelmente um dos sons mais pesados já feitos por Sinner e Cia (por mais semelhante que ela seja ao Rhapsody em algumas partes), total oposto de “Born Again”, uma balada que, ao ouvir, é impossível não lembrar dos momentos mais farofas do Scorpions (apesar de a letra aqui ter uma seriedade muito maior – sem sarcasmo). Depois disso, não seria tão assustador se “Blaze Of Glory” fosse alguma versão dos alemães para o clássico do Bon Jovi, o que por sorte, não o é, mas também não é uma faixa das mais destacáveis, soando bastante como um resto de estúdio incluída no tracklist, o que infelizmente também ocorre com “Conviction”, que mesmo soando bastante como o Primal Fear antigo, não convence completamente.

Atualmente, podemos dizer que ouvir um álbum do Primal Fear é o mesmo que reassistir um daqueles filmes antigos: não tem nada de revolucionário, alguns elementos já estão mais do que ultrapassados, mas a diversão, o descompromisso e a nostalgia de passar pela experiência de novo valem cada segundo passado. “Unbreakable” é Primal Fear na sua forma mais pura, e querendo ou não, tratando-se da qualidade das músicas aqui apresentadas (com exceção das duas últimas), que seja clichê, que seja uma cópia dos anos 80, que seja infantil, que não traga nada de novo, porque muitas vezes o que importa é simplesmente esquecer os problemas, parar de tentar achar sentido nas coisas e simplesmente levantar os punhos e berrar o refrão o mais alto possível.

01. Unbreakable (Part 1)
02. Strike
03. Give Em Hell
04. Bad Guys Wear Black
05. And There Was Silence
06. Metal Nation
07. Where Angels Die
08. Unbreakable (Part 2)
09. Marching Again
10. Born Again
11. Blaze Of Glory
12. Conviction

Lineup:

Ralf Scheepers – Vocal
Mat Sinner – Baixo
Magnus Karlsson – Guitarra
Alex Beyrodt – Guitarra
Randy Black – Bateria

Nota 8

Primal Fear

Unbreakable Primal Fear

Tracklist

Lineup

Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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