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Napalm Death – “Utilitarian”


Os grandes responsáveis pelo estilo conhecido hoje como Grindcore (e isso NÃO é discutível), os ingleses do Napalm Death iniciaram as atividades em 1981 com a mistura de Hardcore e Death Metal e simplesmente hoje são uma das mais importantes bandas não apenas do cenário extremo.

Três anos após o excelente “Time Waits For No Slave”, o quarteto lança o seu décimo quinto álbum via Century Media, produzido pelo companheiro de longa data Russ Russel.

Não se deixe enganar pelos dedilhados e pelos vocais limpos da introdução de “Circumspect”, nem tampouco pelo seu ritmo cadenciado, já que assim que “Errors In The Signals” começa o que se ouve é o Grindcore caótico de sempre, mas com um detalhe importantíssimo: só uma banda do nível e experiência do Napalm Death consegue fazer uma música extrema nessas proporções e manter compreensível cada riff, cada mudança de andamento e cada verso, algo que muitas outras da mesma vertente simplesmente ignoram na hora de compor, achando que “quanto mais barulho melhor”. Essas estruturas complexas aliás, continuam em “Everyday Pox”, cujo fator mais bizarro é a participação de John Zorn fazendo um solo de saxofone. Sim, é exatamente isso que você leu, um solo de saxofone no meio de um disco de Grindcore, que por incrível que pareça encaixou bem, considerando o abismo entre eles. A longa (com quatro minutos) “Protection Racket” dá um passo a mais na brutalidade enquanto “The Wolf I Feed” flerta fortemente com o Thrash Metal e o Hardcore, com direito a um incrível jogo de vozes, incluindo uma passagem de vocal limpo surpreendente. Depois do momento de relativa calmaria, “Quarantined” é um dos momentos mais brutais do disco (apesar de isso ser difícil de ser medido tratando-se dessa banda), enquanto “Fall On Their Swords” inclui uns cânticos soturnos muito bem encaixados no conceito da música, e a Hardcore “Collision Course” tem uma das melhores letras dos caras.

“Orders Of Magnitude” traz novamente o bom revezamento de vozes, misturando de forma bem interessante o rasgado/berrado com o gutural grave de Barney Greenway enquanto em “Think Tank Trials” eles definitivamente chutam o balde tratando-se de brutalidade. A Thrashy “Blank Look About Face” tem aquele andamento perfeito para quebrar alguns pescoços e passagens compostas especialmente para tocar ao vivo (o nome da música berrada de forma cadenciada é sempre perfeita ao vivo) e “Leper Colony” vai fundo nas raízes do Grindcore e do próprio Napalm Death, assim como o um minuto de “Nom De Guerre”. O single “Analysis Paralysis” segue um ritmo um pouco menos extremo e estruturas mais convencionais, uma boa faixa para introduzir um novo ouvinte. O puro Death Metal de “Opposites Repellent” abre passagem para mais uma grande faixa do álbum, com boas doses de Thrash e Hardcore dos anos 90, “A Gag Reflex” fecha este que é um dos mais dinâmicos trabalho do Napalm Death em toda a sua discografia.

Faltam adjetivos para definir “Utilitarian”, pois é nele que o Napalm Death, precursor de todo um novo estilo de música extrema consegue catapultar ainda mais as suas composições e redefinir seus próprios limites com a inserção de novos elementos, de uma forma que apenas músicos experientes e com total noção do que encaixa no seu estilo ou não. É brutal, é genuíno, é caótico, e exatamente por isso é um dos sérios candidatos a melhor álbum de 2012.

01. Circumspect
02. Errors In The Signals
03. Everyday Pox
04. Protection Racket
05. The Wolf I Feed
06. Quarantined
07. Fall On Their Swords
08. Collision Course
09. Orders Of Magnitude
10. Think Tank Trials
11. Blank Look About Face
12. Leper Colony
13. Nom De Guerre
14. Analysis Paralysis
15. Opposites Repellent
16. A Gag Reflex

Lineup:

Barney Greenway – Vocal
Mitch Harris – Guitarra / Vocal
Shane Embury – Baixo
Danny Herrera – Bateria

Nota 10

NapalmDeath

Utilitarian Napalm Death

Tracklist

Lineup

Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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