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Jorn – “Bring Heavy Rock to the Land”


O dinamarquês Jorn Lande entra facilmente como um dos grandes vocalistas atuais do Heavy Metal, em parte graças ao seu trabalho junto a bandas como Ark, Masterplan, Ayreon, e diversos outros projetos que invariavelmente trouxeram os holofotes para a sua carreira solo. Bastante influenciado pelo Power Metal alemão e por aquele Hard Rock setentista, Jorn sempre chamou a atenção pelo seu timbre de voz sempre comparado ao de Dio e Coverdale.

Exageros a parte, ele está lançando o nono álbum da banda que leva o seu nome, “Bring Heavy Rock To The Land”, o primeiro inteiramente de inéditas desde “Spirit Black”, de 2009.

Ao contrário da maioria esmagadora, Jorn Lande escolheu abrir o disco com um curto prelúdio acústico aonde já mostra um pouco do seu poderio vocal (para algum possível desavisado que não conheça o trabalho do cara), mesmo nos momentos mais calmos, deixando de lado arranjos orquestrais grandiosos e coros. E essa escolha se mostra ainda mais pertinente quando os primeiros riffs de “Bring Heavy Rock To The Land” começam, com o já característico som que fica entre o Hard Rock e o Power Metal, sempre acompanhado de melodias épicas belíssimas e os excelentes refrões que esse norueguês consegue compor. E dá-lhe mais Hard setentista com “A Thousand Cuts” e seus mais de oito minutos extremamente pegajosos em que Lande simplesmente não para um segundo de cantar, enquanto “Ride Like The Wind” é uma versão para o hit oitentista do músico americano Christopher Cross, adaptada ao estilo do norueguês, e quem já ouviu algum outro tributo prestado por Jorn sabe que ele geralmente não erra nessa.

“Chains Around You” foge um pouco dos riffs e melodias cadenciadas e mergulha fundo na mais do que evidente influência de Dio em sua carreira solo, resultando em uma das melhores faixas deste disco, assim como a soturna balada “The World I See”, seguindo a linha de outras composições no mesmo estilo que Jorn já fez em seus álbuns anteriores. Inexplicavelmente, a próxima faixa é um cover de “Time To Be King” do… Masterplan (!). Simplesmente não faz sentido regravar uma faixa sem nenhuma alteração considerável, de um material que foi lançado por ele mesmo alguns anos atrás, mas tudo bem, já que a oitentista “Ride To The Guns” vem com a sua letra despretensiosa e um Power Metal tipicamente alemão (impossível não lembrar de Accept e Running Wild, por exemplo).

Mais uma balada e mais um destaque, “Black Morning” tem aquela batida tipicamente sulista-americana, mas Lande não deixa o seu lado europeu em nenhum momento, criando uma mistura de atmosferas bem interessante, e bem diferente de mais uma faixa bem simples (beira o ridículo, por assim dizer) que é “I Came To Rock”. E pelo título vocês já devem imaginar como ela é certo? Hard Heavy cultuando o Rock n’ Roll likestyle e nada mais. A faixa bônus “Live And Let Fly”, que aparentemente encerra todas as versões do álbum, não tem muitos atrativos e é extremamente dispensável a essa altura do disco, sem fechar o trabalho de forma memorável.

Jorn Lande faz parte do grupo de “novos vocalistas” que, mesmo não sendo conhecido dentro do mainstream musical, com certeza é uma das vozes mais marcantes do Hard e Metal atual, e facilmente um dos melhores vocalistas da história. E mesmo sem trazer absolutamente nada de novo, “Bring Heavy Rock To The Land” é mais um álbum sólido do norueguês, que se não é perfeito, traz faixas com poderosas melodias, mesclando eficientemente aquele Hard despojado do fim da década de 70 e início dos anos 80 com o Power Metal um pouco mais recente.

jORN

Bring Heavy Rock to the Land Jorn

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Tracklist

01. My Road
02. Bring Heavy Rock To The Land
03. A Thousand Cuts
04. Ride Like The Wind
05. Chains Around You
06. The World I See
07. Time To Be King
08. Ride To The Guns
09. Black Morning
10. I Came To Rock
11. Live And Let Fly

Lineup

Jorn Lande – Vocal
Jimmy Iversen – Guitarra
Tore Moren – Guitarra
Nic Angileri – Baixo
Willy Bendiksen
Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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