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Eluveitie – “Helvetios”


Contrariando o padrão das bandas de Folk Metal, que geralmente vem dos confins da Finlândia e congêneres nortenhos, o Eluveitie foi fundada por Chrigel Glanzmann na belíssima Winterhur, na Suiça, inicialmente como um projeto de estúdio, que rapidamente foi transformada em uma banda completa e hoje em dia já é parte do cast da Nuclear Blast, uma das grandes distribuidoras do Metal atualmente.

A mistura entre Folk, música celta e MeloDeath que os suíços propõe já lhes rendeu quatro álbuns de estúdio, entre eles os marcos “Slania” (2008) e “Everything Remains (As It Never Was)” (2010), sendo que esse ultimou estreou em ótimas posições nos charts suíço, alemão, finlandês e francês. Em 2012 eles chegam ao quinto full length, o primeiro conceitual da discografia (interessante que a versão limitada vem com um DVD com vídeos, making ofs e uma bela explicada sobre o conceito).

Depois da narração de “Prologue”, um Eluveitie nos seus melhores moldes dá as caras em “Helvetios”: riffs quase NWOBHM, vocais rasgados e aquela veia Folk que sempre foi a marca registrada dos suíços. E por falar em Folk, o começo de “Luxtos” já é suficiente para uma celebração regada a carneiros assados e cerveja no chifre ao redor de uma fogueira, com pessoas cantando em uníssono o refrão (ou seja, ótima ao vivo), enquanto “Home” volta a pegar as influências MeloDeath, lembrando o Suidakra em alguns momentos, principalmente pelo cuidado acima da média no instrumental. “Santonian Shores”, por outro lado, cai mais para o lado Power Metal da coisa, com riffs mais simples e aquelas melodias que martelam insistentemente durante dias, assim como a “semi a capella” “Scorched Earth”, que com certeza te farão cantarolar os versos mesmo sem saber a letra exata. Evidentemente, nada melhor para retomar o clima do álbum como a pedrada “Meet The Enemy”, novamente influenciada pela escola sueca, com o adicional de linhas de flauta no mínimo frenéticas, que meio bizarras a primeiro instante, dão um toque realmente único à música. E o ritmo continua lá em cima com “Neverland” (ainda no lado mais extremo) e “A Rose For Epona”, uma música que com certeza os truezões mais exaltados reclamarão pela incomoda semelhança com.. bem… com o Evanescence, certo? Mas ainda assim é uma ótima faixa e com certeza uma ótima escolha para ser single.

Depois do momento mais pop, “Havoc”, de longe a mais pesada do trabalho, para abrir um sorriso na cara daqueles que torceram um pouco o nariz na anterior. E o Eluveitie passa ainda mais a mão na cabeça deles com “The Uprising”, outra que segue a linha clássica de Folk MeloDeath, a bonita instrumental dançante “Hope” e o quase Black Metal de “The Siege”. Agora, mais uma pequena polêmica no álbum: “Alesia”, novamente com os vocais femininos a frente, lembra novamente o Evanescence, em particular algo entre os “”””clássicos”””” “Bring Me To Life” e “Going Under”, não? Claro, considerando o abismo profundo entre as bandas. Enfim, nada que seja o fim do mundo, afinal de contas, depois do interlúdio “Tullianum”, “Uxellodunon” traz a banda de volta ao eixo mais seguro, soando até mais pesada e cadenciada neste que é o encerramento épico do disco, antes de “Epilogue”, mais uma narração seguida de um belíssimo instrumental Folk, digno de fim de filme.

Não é a toa que o Eluveitie é considerado um dos pilares da “New Wave Of Folk Metal” (pelo menos assim eles se intitulam): com “Helvetios” eles provam mais uma vez que é possível soar de forma equilibrada, mantendo os instrumentos folks, letras baseadas em mitologias e guerras antigas e toda essa atmosfera épica, mesclando de forma mais do que bem sucedida com o MeloDeath sueco um pouco mais moderno, que bandas como Soilwork, In Flames e o Sonic Syndicate seguem, o que com certeza atrai um público muito mais dinâmico do que apenas aqueles que preferem o Folk mais clássico, cantado em idiomas ininteligíveis.

Trilha sonora obrigatória para uma celebração Folk em algum feriado pagão.

01. Prologue
02. Helvetios
03. Luxtos
04. Home
05. Santonian Shores
06. Scorched Earth
07. Meet The Enemy
08. Neverland
09. A Rose For Epona
10. Havoc
11. The Uprising
12. Hope
13. The Siege
14. Alesia
15. Tullianum
16. Uxellodunon
17. Epilogue

Lineup:

Chrigel Glanzmann – Vocal / Violão / Bandolim / Uilleann Pipes / Bodhrán / Flautas / Gaita
Meri Tadic – Violino / Vocal
Merlin Sutter – Bateria
Ivo Henzi – Guitarra
Sime Koch – Guitarra / Vocal
Anna Murphy – Viola de roda (Hurdy gurdy) / Vocal
Pade Kistler – Gaita de fole / Flautas
Kay Brem – Baixo

Nota 8

Eluveitie

Helvetios Eluveitie

Tracklist

Lineup

Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

Uma resposta para “Eluveitie – “Helvetios””

  1. Minea Nunes disse:

    A primeira vez que ouvi A Rose for Epona eu pensei alto: Espero que seja sobre The Legend of Zelda. As pessoas que me mandam uma única música como recomendação deveriam saber do nível de nerdice.

    Faz uma data que não ouço os bonsFolk. Relembrarei.

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