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Coldplay – “Mylo Xyloto”


Apresentar o Coldplay seria perda de tempo, certo? Uma das bandas Pop mais bem sucedidas dos últimos anos, bastaram alguns hits para a banda já marcar o seu nome na história da música, seja pela melosidade dos seus álbuns ou pelos conceitos ou princípios que eles seguem a risca.

“Mylo Xyloto” é o quinto álbum de estúdio da banda, e o seu nome esquisito é facilmente explicado quando descobrimos que trata-se de um disco conceitual, sobre duas pessoas (Myle e Xyloto) que se conhecem quando entram em uma gangue e acabam se apaixonando. Praticamente estreando em primeiro (ou nas primeiras posições) em todos os charts internacionais, as vendas são tão felizes quanto o final da história e da música que eles apresentam.

A curta instrumental faixa título “Mylo Xyloto” faz a base para “Hurts Like Heaven”, onde já podemos perceber de cara um Coldplay diferente. Os efeitos eletrônicos estão conduzindo a música, são dezenas de camadas de samples tanto sobre os instrumentos quanto sobre a voz, sendo bem difícil classificá-la (mas é algo entre o Pop, o Eletrônico e o, pasmem, Post-Rock). A bela “Paradise”, em seguida mistura duas faces da banda: o estilo já conhecido, bem soft e com o piano como personagem principal, e essas experimentações abusando dos efeitos, enquanto “Charlie Brown” poderia muito bem ter entrado no clássico “A Rush Of Blood To the Head”. “Us Against The World”, uma balada acústica apenas no violão é mais uma música bem bonitinha, lembrando um pouco o Folk americano (assim, bem de longe), e a dobradinha “M.M.I.X.” e “Every Teardrop Is A Waterfall” é completamente calcada nos samples novamente, daquele tipo que nem precisa ter um remix pra tocar nas baladas por aí. O que não tira o mérito, pois são muito boas.

“Major Minus”, a próxima, é uma dos raros momentos no disco aonde o Coldplay se aproxima do Rock propriamente dito (soando bem inglês, diga-se de passagem), assim como a mais-uma-balada-acústica “U.F.O.”, legalzinha, mas não muito longe disso. Em seguida, “Princess Of China”, que além da participação da Rihanna tem samples de uma música do Sigur Rós (sim, isso mesmo) é um Pop eletrônico dos mais descarados e muita gente vai achar dos mais sem vergonha. Basta ouvi-la sem preconceitos e ver que é uma ótima música, e um dos pontos mais altos do álbum. “Up In Flames”, por outro lado, é uma música das mais simples e com poucos atrativos, que só é salva pelo lugar em que foi colocada no tracklist. Por alguma razão, a atmosfera criada pela música anterior ajudam a absorvê-la, já que com “A Hopeful Transmission” e “Don’t Let It Break Your Heart” o clima do disco dá uma guinada lá pra cima, voltando a ficar bem animadinha (talvez explicado pelo próprio conceito do disco – o final é feliz, certo?), fechando com “Up With The Birds”, música perfeita para tocar enquanto os créditos vão subindo e falando o que aconteceu com cada personagem da história.

Apesar de alguns elementos aparecerem nos outros álbuns da carreira dos ingleses, em “Mylo Xyloto” o Coldplay chutou o pau da barraca de vez e inseriu massivamente diversos novos elementos que os afastam gradativamente de ser uma banda de Rock. Ok, eles nunca foram a banda mais pesada, afinal de contas, essa nunca foi a idéia, certo? Mas nesse novo álbum podemos ver uma banda utilizando de forma inteligente os efeitos eletrônicos, criando uma ambientação quase teatral. Para quem nunca agüentou o melodrama calcado nos pianinhos que o Coldplay fazia, talvez possa dar uma chance a “Mylo Xyloto”. Não é a melhor coisa do mundo, mas é belíssimo, ao seu modo.

01. Mylo Xyloto
02. Hurts Like Heaven
03. Paradise
04. Charlie Brown
05. Us Against The World
06. M.M.I.X.
07. Every Teardrop Is A Waterfall
08. Major Minus
09. U.F.O.
10. Princess Of China
11. Up In Flames
12. A Hopeful Transmission
13. Don’t Let It Break Your Heart
14. Up With The Birds

Line-up:

Chris Martin – Vocal / Teclado / Guitarra
Jonny Buckland – Guitarra
Guy Berryman – Baixo
Will Champion – Bateria

Nota 7

Coldplay

Mylo Xyloto Coldplay

Tracklist

Lineup

Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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