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Abigail Williams – “Becoming”


Formada no Arizona em 2005, o Abigail Williams do começo de carreira era bem mais voltado para o Deathcore, trazendo alguns elementos sinfônicos, tendência que estava se alastrando pelos Estados Unidos naquela época.

Sete anos depois, o único membro original remanescente é o guitarrista vocalista Ken Sorceron, que ao longo dealguns EPs e dois álbuns (“In The Shadow Of A Thousand Suns”, 2008 e “In the Absence Of Light”, 2010) foi lapidando ao poucos a sonoridade da banda, mudando muito do Symphonic Deathcore com elementos de Black Metal até atingir a identidade atual: um Black Metal arrastado, experimental, apocalíptico e assustador.

O começo soturno de “Ascension Sickness” cria a atmosfera gélida que enterra de uma vez por todas as influências Deathcore apresentadas nos primeiros trabalhos e mergulha completamente no Black Metal ao mesmo tempo caótico e belíssimo, com inclusões de pequenos detalhes que engrandecem em muito a obra, como dedilhados acústicos e arranjos orquestrais que servem de base para a sonoridade extrema. Ao longo dos onze minutos de duração, a banda caminha pela brutalidade, passagens atmosféricas que esbarram bastante em trilhas sonoras de filmes (o que torna a coisa toda bem teatral), o que pode soar até um tanto quanto confuso a primeiro instante, mas a partir do momento que você se aprofunda mais no disco, mais e mais detalhes vão surgindo e o nível de imersão aumenta bastante. Mais arrastada, “Radiance” traz um crescendo instrumental digno de nota, indo do mais mórbido Doom Metal, acelerando aos poucos, até encerrar da maneira mais brutal e apocalíptica possível, enquanto “Elestial” remete levemente ao Borknagar do início de carreira e àquelas bandas mais underground, sujas e (em alguns momentos) deploráveis, que não necessariamente abusam dos blastbeats, mas transparecem um sentimento negativo com riffs arrastados e interpretações desesperadoras (nesse caso, isso é bom e condizente com a proposta, claro).

Com uma belíssima introdução, “Infinite Fields Of Mind” é o Symphonic Black Metal na sua forma mais heterogênea, e assim como a faixa de abertura do álbum, consegue transportar em alguns minutos por uma variedade de cenários, que você cria mentalmente: lugares gélidos, caóticos, ruínas. Depois de toda essa viagem, “Three Days Of Darkness” é um interlúdio curto que vem bem a calhar para relaxar um pouco a mente e ao menos tentar entender o que está acontecendo quando “Beyond The Veil” começa a tocar. São mais de dezessete minutos que você simplesmente fica paralisado, tentando se encontrar em meio ao saudável e belíssimo caos sonoro, contrastando de forma única arranjos orquestrais com passagens puramente extremas.

Quando “Becoming” acaba, a sensação é a de que você despertou lentamente de um sonho (ou pesadelo, dependendo do ponto de vista) confuso e sem sentido, daqueles que você levanta e perdeu completamente o tato do que é real ou não. Sim, a audição desse álbum é uma experiência deveras complexa e não deve ser feita enquanto se pensa em outra coisa, principalmente pela quantidade de detalhes e passagens sutis que são o verdadeiro diferencial aqui. Além da sonoridade mórbida e tensa do Black e Doom Metal sinfônico, a atmosfera que os arranjos orquestrais e acústicos criam é muitíssimo bem pensado e trazem à tona um pé no Post-Metal e no Shoegaze, com resultados únicos.

Algumas pessoas têm falado que o Abigail Williams é o futuro do Black Metal. É difícil discordar quando se ouve um trabalho como esse, mas, exageros a parte, uma coisa é certa: eles têm mais do que capacidade para liderar uma renovação no estilo e quebrar alguns paradigmas.

 

01. Ascension Sickness
02. Radiance
03. Elestial
04. Infinite Fields Of Mind
05. Three Days Of Darkness
06. Beyond The Veil

Lineup:

Ken Sorceron – Vocal / Guitarra
Ian Jekelis – Guitarra
Griffin Wotawa – Baixo
Zach Gibson – Bateria

Nota 9

Abigail-Williams

Becoming Abigail Williams

Tracklist

Lineup

Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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