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05/06/2011 – Pain Of Salvation: Live at Carioca Club


Hipnótico. Essa é a única palavra capaz de definir o show do Pain Of Salvation que aconteceu neste domingo no Carioca Club em São Paulo. Além do som e da luz estarem perfeitos em praticamente todo o show, que durou quase três horas, a relação íntima que a banda estabeleceu com o publico foi algo único, realmente especial. Nunca tinha visto isso antes.

Show do Pain Of Salvation em São Paulo no Carioca Club

Antes das portas do Carioca Club se abrirem, o público já fazia uma grande fila quarteirão a fora da casa. Lá dentro, um ambiente muito bem organizado, com uma pista grande e um camarote um pouco distante do palco, mesmo que a casa não seja tão grande assim. O público, que eram formado em grande quantidade por casais e mulheres, rapidamente preencheu as lacunas da pista, que não ficou cheia durante o período do show, fato notado inclusive pela banda, mas que não atrapalhou de maneira nenhuma a empolgação daqueles que estavam com os olhos vidrados na perfomance impecavél do grupo.

O show começou com cerca de meia hora de atraso, mas quando as luzes se apagaram e a música de entrada começou a rolar, tudo ficou para trás e a ansiedade era visível no rosto de cada um dos presentes. Quando enfim Daniel Gildenlöw tomou sua posição no palco, usando uma camiseta “Lennon/McCartney” os gritos foram ensurdecedores e só foram aumentando a medida que Remedy Lane começou a ser tocada.

Aliás, ele mesmo é o responsavél pelos olhos cheios de admiração do público. Além de um músico fora do comum, ele é um front men de primeira categoria. Indo do agudo mais ardido, até os graves das músicas mais pesadas, Daniel cantou tudo com perfeição, mostrando que ele se preocupa e muito com o próprio corpo e voz. Mesmo que a arrumação do palco fosse simples, o visual criado pela combinação ideal de luz era algo de se enxer os olhos. Suas performances, como o pulo do tablado do palco, sincronizado com a batida da bateria e as luzes, além das decidas para a parte mais baixa do palco, para que pudesse ficar mais próximo do púiblico enquanto tocava, faziam todos ali vibrar ainda mais com a banda. Assim que a primeira tríade de músicas terminou o públicou puxou o coro de “happy birthday to you” pois naquele dia, Gildenlöw estava fazendo 38 anos (sim eu sei, até eu fiquei assustado quando fiquei sabendo).

Quando América começou a ser tocada, outra coisa ficou clara para o público presente: o quanto a própria banda estava se divertindo em cima do palco, mesmo com os improvisos de última hora, como o solo de bateria que ocorreu no meio da música, por conta de uma corda estourada da guitarra de Daniel, ou as constantes perdas de afinações das guitarras.  Em Kindgom of Loss outro membro da banda chama mais atenção, Johan Hallgren, o guitarrista de dreadlocks e sem camisa mostrou que não é necessário efeito nenhum de estúdio para fazer backing vocals daquele jeito, fazendo a galera vibrar e cantar junto boa parte de seus backing vocals. Demonstrando que também sabe muito bem prender a atenção do público, ele anda de lado a lado do palco, vai até a parte mais baixa e arranca aplausos dos que estão ali na frente enquanto toca e gira a cabeça levantando seus dreads.

Second Love, a minha balada preferida no eixo rock/metal progressivo, foi ovacionada pelo público geral, com isqueiros e celulares para fazer a tradicional manta de pontos luminosos da platéia. Ao final da música, Gildenlöw vai até o microfone e agradece “Sabe o que é mais estranho? Quase bizarro? Eu escrevi esta música quando eu tinha 15 anos…e é muito bom poder toca-la aqui com vocês aos 38 anos”. Diffidentia se tornou um coral único, todos cantando em alto e bom som. Ashes e Road Salt foram executadas perfeitamente, tão cristalino estava o som que parecia até vindo do cd da banda.

Mas as supresas do show ainda estavam longe de acabar. Para tocar Falling, Gildenlöw pegou sua guitarra e subiu até o camarote, ficando a centímetros dos sortudos que estavam por ali. Por fim, a banda volta ao palco para fechar com The Perfect Element. Na volta do backstage, a banda inicia o bis com Tell Me You Don’t Know, uma versão muito melhor que a original, muito mais apegada ao blues raiz, inclusive nas inflexões do vocal. Seguiu-se então com Disco Queen, uma música que sempre considerei abaixo do nível do Scarsick, e que pegou algumas pessoas de surpresas perto de mim, que duvidavam que a banda poderia mostrar ainda mais versatilidade de estilos e sons do que os apresentados até agora. Nightmist foi a música que encerrou a noite de domingo, e ela mesma teve suas próprias surpresas. No meio da música a banda para de tocar de repente enquanto a produção entrega para Gildenlöw um bolo de chocolate, com direito a velas e mais uma rodade de “happy birthday to you”. Visivilmente surpreso ele entra na brincadeira e apaga as velas antes de voltar, dando risada, ao microfone e continuar a música e encerrar de vez a noite de domingo mais animal dos últimos tempos. Na hora da saudação final, todos os membros da banda foram até o limite do palco cumprimentar todos que conseguiam estender as mãos por ali, uma dose incrível de carinho por aquele público que aguardou 5 anos para encontra-los novamente.

O show foi perfeito, mesmo com os contratempos e o atraso, tudo no final contribuiu para criar uma atmosfera de cumplicidade entre aqueles que assistiam e a própria banda, alçada ao status de deuses por todos que estavam ali presentes. O efeito Gildenlöw permaneceu até mesmo após o show, muita gente não acreditando no que tinha visto. Muitos durante o show nem pulavam direito ou levantavam as mãos, só ficavam lá com o olhar petrificado observando toda a perfomance desse gigante dos palcos. É necessário ressaltar o bom humor da banda, que brincou com o público e entrou na brincadeira feita por eles durante todo o tempo, como quando Daniel recebeu um kinder ovo de presente e foi até o microfone para dizer “Ovo” e depois agradeceu a pessoa que o tinha entregue. Com toda a certeza, o Pain Of Salvation saiu do Carioca club com muito mais fãs e apreciadores da banda do que quando chegaram lá. Todos ali esperam que um próximo retorno não demore tanto para acontecer novamente e que a banda continue se divertindo em fazer um som de qualidade e um show muito animado.

Fotos por Rafael Côvre

    Vídeos do show de SP

     

    Set List:

    1. Remedy Lane
    2. Of Two Beginnings
    3. Ending Theme
    4. America
    5. Handful of Nothing
    6. Of Dust
    7. Kingdom of Loss
    8. Black Hills
    9. Idioglossia
    10. Her Voices
    11. Second Love
    12. Diffidentia
    13. No Way
    14. Ashes
    15. Linoleum
    16. Road Salt
    17. Falling
    18. The Perfect Element
    19. Tell Me You Don’t Know (Bis)
    20. Disco Queen (Bis)
    21. Nightmist (Bis)

     

    Rhamses

    Palpiteiro de mídias sociais, Designer de interfaces, Podcaster e Microblogger. Apreciador de boa música, mas roqueiro acima de tudo.

    3 comments
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    Leonardo
    Leonardo

    Cara, muito bom show! Fui meio com o pé atrás e voltei muito mais fã dos caras já vou guardar dinheiro pra quando eles voltarem, e vou chamar mais 10 pessoas pra irem comigo! hahaha

    Lia
    Lia

    Foi realmente estonteante, perfeito, mesmo para os que como eu nao conheciamos muito sobre a banda! Só foi esquecido comentar que a cabeça do vocalista, no corpo do guitarrista formariam o cara que toda mulher sonha em ter na sua cama XD Mas ainda assim as vozes orgasmicas, e os acordes penetrantes estao ainda nos meus ouvidos e sonhos.

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