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Opeth – “Heritage”


Desde que foi liberada a capa e posteriormente o single “The Devil’s Orchard” já pudemos ter uma breve noção do que poderíamos esperar do aguardadíssimo novo álbum do Opeth. Um clima totalmente vintage e uma vibe muito diferente do que a banda estava acostumada a fazer, sem contar com a ausência dos guturais de Mikael Akerfeldt, assim como foi no “Damnation”.

Dominado pela experimentação, Heritage precisa ser ouvido várias vezes para poder captarmos todas as ideias impostas por Akerfeldt, no álbum todo há sempre aquele breve momento que passará despercebido, portanto sair xingando por aí pela sua primeira impressão é no mínimo desprezível. São dez faixas com todo o máximo cuidado em todos os instrumentos.

Iniciamos o álbum com a faixa-título, uma breve e linda introdução tocada no piano, já por ela podemos sentir o clima setentista predominante. “The Devil’s Orchard” então dá então as caras, até bem alegre para o nível Opeth. Claramente nota-se muita coisa por ela, primeiramente o grande uso dos teclados, o fazendo como um item tão importante como qualquer outro, diferentemente de como era nos últimos álbuns. Outro ponto a se destacar é a performance do baixo de Martin Mendez, um som totalmente encorpado fazendo a diferença tanto nessa música como no álbum todo. E claro não podemos deixar de mencionar:  “God is dead…” (!)

“I Feel the Dark” nos mostra um riff que lembra a música espanhola, riff esse que vai ganhando instrumentos adicionais, até que simplesmente do nada a música para e nos encontramos com uma guitarra macabra, um clima muito tenso, lembrando o Opeth de sempre, apartir daí temos ainda passagens geniais, que se não ouvirmos com atenção pode-se entender que não passa de uma colagem de várias músicas, o que não é bem assim. “Slither” é dedicada a Ronnie James Dio, uma pegada bem hard, lembra muito Rainbow, ótima música que funcionaria também como faixa-bonus pois é muito diferente do som que o Opeth faz.

Mikael deve estar ouvindo muito Post-Rock pois é isso o que mostra o começo de “Nepenthe”, apesar de curta é uma das mais experimentais. A pegada da bateria de Axenrot é hipnotizante, aliás para quem achava que ele era um mero baterista de death metal com certeza quebrou a cara. A música ainda tem traços que lembram de longe King Crimson. “Häxprocess” (não é cantada em sueco!) tem um clima muito misterioso, onde viajamos com os acordes de violão e samples melancólicos no fundo. Acordamos com um novo início para a música, mais pulsante mas sem perder a beleza, no fim nos encontramos com o mistério e a solidão de volta num solo cuidadoso de guitarra que afetará até os mais fortes.

“Famine” tem 1 minuto só de batucadas aliadas a vozes sinistras no fundo. Logo temos apenas a belíssima voz de Akerfeldt aliada um teclado atmosférico. Sem perceber nós já estamos num clima bem pesado, essa é uma música que surpreende a todo momento. Batucadas de volta e então o riff matador acompanhada de uma flauta, isso mesmo! Impossível não lembrar Jethro Tull neste momento, uma faixa simplesmente incrível. “The Lines In My Hand” com sua curta duração já agrada de cara, e não se pode deixar de mencionar novamente o quanto o baixo é importante neste álbum. Bateria também impecável, aliás tudo está perfeito, ainda mais quando temos um mellotron ajudando a música a crescer.

“Folklore” é outro destaque absoluto, influências de música psicodélica e o bom uso da guitarra em poucas notas. A segunda parte dela pode-se dizer sem a menor dúvida que é um dos melhores momentos de toda a carreira da banda. Um mix de todo o bom gosto de Mikael Akerfeldt. “Marrow of the Earth” é aquela típica música de encerramento de uma obra-prima.

Ousado e instigante, dois adjetivos que resumem bem o que é o Heritage. Um álbum que na certa irá dividir os públicos. Se você não tem uma certa “bagagem musical” , não ouve o Prog Setentista e prefere o lado mais Metal da banda provavelmente ficará do lado dos que vão torcer o nariz para ele. É um álbum que te força a entender um pouco mais de música pra entender o que está sendo feito. Gênios musicais são assim, sempre nos impõem grandes desafios sem se importar se a grande maioria irá gostar ou não. Esse é Mikael Akerfeldt aumentando sua discografia impecável.

Heritage Opeth

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Tracklist

1. Heritage
2. The Devil's Orchard
3. I Feel the Dark
4. Slither
5. Nepenthe
6. Haxprocess
7. Famine
8. The Lines in My Hand
9. Folklore
10. Marrow of the Earth

Lineup

Mikael Åkerfeldt - Vocal / Guitarra / Mellotron / Piano
Per Wiberg - Teclado / Hammond / Piano / Fender Rhodes / Wurlitzer
Fredrik Åkesson - Guitarra
Martin Axenrot - Bateria
Martín Méndez - Baixo

Joakim Svalberg - Piano
Björn J:son Lindh - Flauta
Alex Acuña - Percussão
Andrew Rosario

4 respostas para “Opeth – “Heritage””

  1. Como fez o review sendo que o Album nem lançou? =P

    Album bom mesmo.Mas ainda acho Watershed melhor.

  2. Danilo Fucci disse:

    "Se você não tem uma certa “bagagem musical” , não ouve o Prog Setentista e prefere o lado mais Metal da banda provavelmente ficará do lado dos que vão torcer o nariz para ele. É um álbum que te força a entender um pouco mais de música pra entender o que está sendo feito."

    Falou TUDO

  3. Vinicio disse:

    Uma obra genial!!!!

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