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Socrates Drank The Conium – “Socrates Drank The Conium”


De volta ao início da década de 70, a Grécia ainda vivia o período conhecido como a ditadura dos coronéis (que se estendeu até 74, mais precisamente), quando juntas militares de direita estavam exercendo o poder. Não apenas historicamente falando, mas musicalmente a opressão também era a níveis alarmantes, com direito a vários artistas estrangeiros tendo seus discos banidos ou até mesmo considerados ilegais no país (como no caso dos Rolling Stones).

E é nesse cenário que chegamos às origens do Socrates Drank The Conium, mais especificamente no Kitarro Club, um dos vários bares na região de Atenas aonde as bandas gregas podiam fazer o show e esquecer um pouco da realidade conturbada do país. Formado por Yannis Spathas e Antonis Tourkoyorgis, além de uma incontável lista de bateristas convidados, o Power trio tocava uma série de músicas próprias calcadas no Blues Rock da época, lembrando uma versão mais psicodélica de Deep Purple, Black Sabbath, Cream, e de sua influência mais evidente, o The Jimi Hendrix Experience.

Com o reconhecimento no underground ateniense, a dupla entra no estúdio para gravar o seu disco de estreia em 1972, levando o nome da própria banda, um excelente debut que reúne em menos de 40 minutos um Blues Rock pesadíssimo, recheado de passagens psicodélicas e técnicas, com direito a tempos musicais inusitados, tendência mais do que notável nessa época em que o Progressivo estava se transformando ao redor do mundo.

Lançado pela Polygram naquele ano, o disco abre com “Live In The Country”, um mezzo-Blues mezzo-Country com melodias extremamente favorecidas pela formação guitarra-baixo-bateria aonde Spathas já demonstra porque é um dos mais criativos guitarrista daquela época, ainda que totalmente desconhecido. Com um andamento bem próximo do Heavy Metal (que chegaria ao seu ápice alguns anos depois), “Something In The Air” segue mais rápida com algumas doses de psicodelia, enquanto “Bad Conditions” vai por um caminho mais Bluesy e Hard Rock. “It’s A Disgusting World” lembra, em muito, os momentos mais cadenciados e de improvisação sem limites de Tony Iommi lá nos primórdios do Sabbath, na faixa mais longa do álbum com quase sete minutos.

Mais e mais Blues Rock aparece em “Close The Door And Lay Down”, uma das melhores faixas do álbum e perfeita para qualquer apresentação ao vivo, um clima positivo, bem diferente da soturna e arrastada “Blind Illusion”, com seu downtempo e improvisos de guitarra ao longo de toda a faixa e suas diversas mudança de andamento. Esquisitíssima, “Hoo Yeah!” acaba lembrando mais uma jam de estúdio, com vocais e berros desconexos improvisados na hora enquanto a banda toca (tanto que o próprio volume da música não se mantém constante, oscilando sem aviso prévio. “Underground”, mais uma composição de D. Wood, é uma bonita balada, que apesar da estrutura aparentemente simples, usa e abusa de timbres tipicamente psicodélicos e viradas de tempo inusitadas, levando ao encerramento do disco com a mistura de Sabbath e Led de “Starvation”.

Quem já se aprofundou no mundo das bandas obscuras de Hard Rock e Psychedelic setentista com certeza já ouviu alguma coisa desses gregos, e para aqueles que estão começando agora nesse caminho, o som do debut não exatamente a coisa mais original de todos os tempos, mas é uma excelente porta de entrada para explorar o resto da discografia do Socrates. Interessante ressaltar que o ápice da popularidade da banda foi em 1975, quando trabalharam com Vangelis para o lançamento do álbum “Phos”, uma releitura de seus clássicos para uma sonoridade muito mais próxima do Rock Progressivo e um trabalho bem mais conhecido entre os Proggers, ao contrário do disco de estreia falado aqui.

Ah sim, a banda continua na ativa, tocando principalmente pela Grécia, ainda com os dois membros originais (Spathas e Tourkogiorgis), acompanhados de Makis Gioulis (bateria), Asteris Papastamatakis (teclado) e Markella Panagiotou (vocalista).

SDTC

Socrates Drank The Conium – “Socrates Drank The Conium”

Tracklist

Lineup

Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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