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Novembers Doom – “Aphotic”


Uma das mais antigas do que podemos chamar de Death/Doom, os americanos de Chicago chegam ao seu oitavo álbum, mantendo-se enterrados no estilo que sempre fizeram, abrindo cada vez mais espaço para resgatar algo que já tentaram no passado e tentado sutilmente coisas novas.

Podemos dizer que o Novembers Doom tem uma das discografias mais consistentes no estilo mais extremo: desde 2000 com o álbum “The Knowing” (relançado esse ano, com nova arte e nova masterização, aliás), nenhum de seus trabalhos pode ser considerado mediano, todos ficando entre bons e excelentes. E com “Aphotic” não é diferente.

Lançado no dia 15 de maio pela The End Records, traz uma banda mais flertando com um lado mais gótico, mórbido e, surpreendentemente, com o Progressivo em alguns momentos, principalmente nas variações da música, nos riffs e nas melodias vocais.

A longa “The Dark Host” já abre o disco pegando os mais desavisados: uma levada tipicamente de Melodic Death Metal (considerando que se está sendo executada por uma banda de Doom) e os vocais de Paul Kuhr já deixando uma coisa bem clara: é o principal destaque de todo o disco, com um toque a mais de brutalidade e melodia, além do uso de alternações limpas muito mais presentes e importantes. Outra grata surpresa, são os blastbeats no meio da música, pra derrubar qualquer um acostumado com o midtempo da banda. “Harvest Scythe” traz novamente esses elementos, com a banda apostando em andamentos mais rápidos e flertando mais ainda com o Death Metal, enquanto “Buried” é o ápice de melancolia, basicamente uma balada a lá My Dying Bride, com guturais. E “What Could Have Been”, em seguida também é uma belíssima música com as contribuições inestimáveis da violinista Rachel Barton Pine e da vocalista Anneke Van Giersbergenm provavelmente um dos momentos mais reflexivos de toda a carreira dos americanos.

A pequena suíte “Of Age And Origin”, dividida nas duas partes: “A Violent Day” e “A Day Of Joy” é um bom resumo de tudo que o Novembers Doom representa, e de quebra conta com a participação de Dan Swanö (que também mixou o álbum). A próxima música “Six Sides” é, dentre todas as músicas deste disco, a maior candidata a clássico (não que as outras sejam inferiores!), pois tem a capacidade de pegar qualquer um de primeira, já que a sua melodia fortíssima é algo a held your fists up! O disco fecha com “Shadow Play”, que é uma balada de Rock Progressivo até a metade, quando de repente se transforma em um ótimo Death Metal e termina com um belo solo a lá Sentenced.

É uma pena este álbum ser curto. Apesar de as músicas permearem os 6, 7 minutos, a sua audição é tão agradável (ao contrário de algumas bandas pseudo-melancólicas por aí) e variada, que parece ser um EP. Não consigo dizer se esse é o ápice da banda (na minha opinião, “The Pale Haunt Departure” e “The Novella Reservoir” ainda detém o título de melhores álbuns), mas “Aphotic” é claramente um passo além de si mesmo que o Novembers Doom está dando. Para uma banda estabelecida, com 20 anos de carreira, é algo admirável.

01. The Dark Host
02. Harvest Scythe
03. Buried Old
04. What Could Have Been
05. Of Age And Origin – Part 1: A Violent Day
06. Of Age And Origin – Part 2: A Day Of Joy
07. Six Sides
08. Shadow Play

Nota 9

Novembers Doom – “Aphotic”

Tracklist

Lineup

Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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