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The Mars Volta – “Nocturniquet”


Uma das bandas mais interessantes surgidas na última década nos Estados Unidos, o The Mars Volta consegue incorporar tantos elementos na sua música que chega a ser caótico em alguns momentos. Afinal de contas, a combinação de Prog Rock, ritmos latinos, Jazz, Math Rock e efeitos eletrônicos é tão complexa e experimental que para alguns chega a ser difícil conceber que a dupla Omar Rodríguez-López e Cedric Bixler-Zavala já ganhou um merecido Grammy de Melhor Performance Hard Rock.

“Nocturniquet”, o sétimo álbum de estúdio do The Mars Volta foi gravado logo depois que o disco anterior, “Octahedron” terminou de ser mixado, mas acabou sendo postergado devido a conflitos internos e o fato de Bixler-Zavala não ter escrito nenhuma letra para as músicas. Porém, a demora valeu à pena, pois além das letras sempre ótimas, o álbum é conceitual, baseado em temas bem positivos e introspectivos, mas é o primeiro sem a colaboração do guitarrista John Frusciante e do tecladista Isaiah Owens.

Meio artificial e com um timbre que ao mesmo tempo soa eletrônico e sujo ao mesmo tempo, “The Whip Hand” soa um tanto quanto esquisita para aqueles que já acompanham o trabalho da banda desde os primórdios, e completamente sem sentido àqueles que estão tendo o primeiro contato. Porém, considerando que “Nocturniquet” é um álbum conceitual, a faixa de abertura funciona perfeitamente para afundar o ouvinte na sonoridade e no tema do trabalho. Em seguida, a balada com um ritmo latino bem acentuado “Aegis” deixa transparecer ainda mais o foco nos efeitos eletrônicos que eles adotaram aqui, enquanto “Dyslexicon” soa como algo perdido entre o obscuro Rock Progressivo dos anos 70 com o Post Punk americano do começo da década de 90, uma música basicamente reta, ditada completamente pela caixa de bateria incessante. Mais uma balada, a belíssima “Empty Vessels Make The Loudest Sound” não chega a ter a complexidade e experimentalismo usual, apesar dos esquisitíssimos e bem encaixados ruídos como pano de fundo, e apresenta melodias vocais bem casuais, o que por si só não é comum tratando-se de The Mars Volta, principalmente se compararmos com a teatral “The Malkin Jewel”, primeiro single do disco (o que foi uma escolha acertada!).

Completamente levada por efeitos eletrônicos (e timbres muitíssimo bem escolhidos por Marcel Rodríguez-López), “Lapochka” chega a esbarrar de leve no Rock europeu com essa mesma proposta quando do ápice do uso de sintetizadores, enquanto “In Absentia” mergulha completamente no Space Rock e até no Kraut: hipnótico, psicodélico, viajante, e exatamente por isso muito interessante e condizente com a letra. E esse ritmo completamente “computadorizado” continua na relaxante “Imago”, graças a algumas das mais bonitas melodias vocais já gravadas por Cedric Bixler-Zavala, e “Molochwalker” remete aos trabalhos anteriores dos caras, ditados pela guitarra sempre criativa de Omar Rodríguez-López, com toques de alternativo, o groove alucinante e já característico (o que esse baterista faz é de cair o queixo).

“Trinkets Pale Of Moon”, apesar de mais simples, tem um clima carregadíssimo, mais acentuados ainda com ruídos que parecem ser tocados em apenas um segundo de toda a música e o falatório (isso mesmo, falatório) que roda em loop por boa parte dela. Esses “barulhos” praticamente emendam com “Vedamalady” e o seu bem pensado acento Pop (fazendo uma comparação esdrúxula, soa como uma versão Garage do bom último disco do Coldplay), enquanto a faixa título, mistura muito bem o sintetizador com um groove jazzístico e aquela sensação de improviso bem latente, que mais parece um caminho que o ouvinte vai seguindo, já que quando “Zed And Two Naughts” vai rolando, parece que a banda tenta trazer quem está completamente imerso nos sons eletrônicos, experimentais e desconexos voltar aos poucos à sonoridade clássica do The Mars Volta.

Quando “Nocturniquet” acaba, a sensação é a mesma de acordar de um daqueles sonhos absolutamente sem sentido, mas ao mesmo tempo com uma assombrosa dose de realidade, e o seu desespero está em descobrir se realmente está acordado. E isso não é a toa, já que a dupla Omar e Cedric parece ter juntado as suas influências mais esquisitas dos anos 70 e fizeram um álbum não apenas livre de qualquer amarra de estilos, mas que soa completamente o oposto do anterior “Octahedron” e diferente de todos os outros discos. Sim, eles seguiram a tendência de buscar a sonoridade de quarenta anos atrás e misturar o que foi feito naquela época a sua própria identidade musical, mas de uma forma tão singular, que “Nocturniquet” entra facilmente para o rol de álbuns que poderiam muito bem ter sido lançados por uma banda obscura daquela época.

Ah sim, não tentem compreender o conteúdo desse disco com meia dúzia de audições. No começo ele chega a ser extremamente desagradável, mas a partir do momento que cada detalhe vai sendo absorvido é que a grandiosidade das músicas é compreendida (pelo menos um pouco).

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Nocturniquet The Mars Volta

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Tracklist

01. The Whip Hand
02. Aegis
03. Dyslexicon
04. Empty Vessels Make The Loudest Sound
05. The Malkin Jewel
06. Lapochka
07. In Absentia
08. Imago
09. Molochwalker
10. Trinkets Pale Of Moon
11. Vedamalady
12. Nocturniquet
13. Zed And Two Naughts

Lineup

Cedric Bixler-Zavala – Vocal
Omar Rodríguez-López – Guitarra
Juan Alderete – Baixo
Marcel Rodríguez-López – Teclado / Sintetizador
Deantoni Parks – Bateria
Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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