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Rotting Christ – “Κata Τon Δaimona Εaytoy”


Contando atualmente apenas com os irmãos Sakis e Themis Tolis na formação oficial, o Rotting Christ tem se estabelecido não apenas como um dos maiores nomes da música grega, mas também como um dos mais criativos entre as bandas extremas do cenário atual. A transformação sonora pela qual eles têm passado desde Sanctus Diavolos, de 2004, vem criando uma identidade musical única, agregando elementos épicos, de gothic metal e de música étnica ao seu death e black metal clássico.

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Κata Τon Daimona Εaytoy, o décimo primeiro álbum da carreira, foi lançado pela Season Of Mist no dia primeiro de março, três anos depois do consagrado AEALO, que definitivamente colocou o nome do Rotting Christ em evidência.

Com uma introdução longa, para criar a ambientação mórbida do álbum, In Yumen – Xibalba já mostra, em seus primeiros minutos, que o que teremos a seguir é uma continuação direta de AEALO, aliando as passagens extremas com um sentimento épico em evidência e elementos de folk – dessa vez das mais diferentes culturas. Como por exemplo, P’unchaw kachun – Tuta kachun, faixa mais cadenciada e com aqueles licks de guitarra característicos do Rotting Christ, traz momentos cantados em espanhol e está relacionado à poemas Incas, enquanto Grandis Spiritus Diavolos, totalmente em latim, apresenta um potencial intenso para as atuações ao vivo, mesmo em um andamento mais lento.

Voltando para o lado mais extremo, Κατά τον δαίμονα του εαυτού introduz o bom uso das gaitas de fole em meio à marcha de guerra apresentada na música, até o disco mudar novamente de rumo (mas mantendo a coerência de espírito) com Cine iubeşte şi lasă, música tradicional romena adaptada pelas cantoras e pianistas Eleni e Suzana Vougioukli, chegando a lembrar, consideradas as abissais diferenças, a música experimental setentista na linha de Cromagnon e Goblin. Em seguida, com um trabalho de percussão já sugerido pelo título, Iwa Voodoo trata da prática religiosa haitiana, resultando em um dos momentos mais interessantes e diferenciados do álbum, enquanto Gilgameš e Русалка permanecem dentro da identidade única que os gregos estabeleceram nos últimos anos.

Ahura Mazdā – Aŋra Mainiuu retoma alguns experimentos com alguns toques da música característica do Oriente Médio, evidenciado pelo título e pelo conceito lírico, relacionados às lendas indo-iranianas pré Zoroastrianas sobre o recorrente confronto entre o bem e o mal. A longa Χ Ξ Σ (ou “666”) fecha o álbum de forma soturna, como o encerramento de um ciclo iniciado na primeira música, com cânticos ritualísticos e um ritmo constante, quase hipnótico.

A ascensão criativa na qual o Rotting Christ se encontra parece ter encontrado o seu apogeu, e os gregos fazem questão de se manter em um nível técnico e musical, sem oscilações. Se a inserção de novos elementos ocorre de maneira tímida em Κατά τον δαίμονα εαυτού, é facilmente identificável que o principal objetivo aqui foi tornar a sonoridade única estabelecida em AEALO ainda mais épica, ainda mais equilibrada, e mostrar que a proposta ainda não está devidamente esgotada: existem muitos caminhos a serem trilhados.

Facilmente um dos grandes trabalhos de música extrema do ano, principalmente por ser, ao que tudo indica, um elo de ligação para o próximo passo a ser dado.

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Κata Τon Δaimona Εaytoy Rotting Christ

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Tracklist

01. In Yumen – Xibalba
02. P'unchaw kachun - Tuta kachun
03. Grandis Spiritus Diavolos
04. Κατά τον δαίμονα του εαυτού
05. Cine iubeşte şi lasă
06. Iwa Voodoo
07. Gilgameš
08. Русалка
09. Ahura Mazdā - Aŋra Mainiuu
10. Χ Ξ Σ

Lineup

Themis Tolis – bateria
Sakis Tolis - guitarra / baixo / teclado / vocal

Georgis Nikas-Askavlos - gaita de fole
Babis Alexandropoulos – vocal
Alexandros Loutriotis – vocal
Theodoros Aivaliotis – vocal
Giannis Stamatakis – vocal
Eleni Vougioukli - piano / vocal
Suzana Vougioukli – vocal
Androniki Skoula – vocal
George Emmanuel - guitarra
Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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