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Myrath – “Tales Of The Sands”


Formada na (um tanto quanto) distante Tunísia, o Myrath é a primeira banda desse país a assinar com uma gravadora. Fato notável, principalmente por ser de Metal, e mais ainda por ser de Progressivo, e, fazerem um som basicamente único dentro do estilo.

Já com dois álbuns no currículo (“Hope”, de 2007 e “Desert Call”, de 2010), a banda chega ao seu terceiro full-length, agora atraindo a atenção do público progressivo, o que culminou em um grande destaque dado pela imprensa especializada para “Tales Of the Sands”, colocando-o facilmente nas listas de melhores álbuns de 2011.

E a proposta da banda já se mostra forte e característica na faixa de abertura “Under Siege”, com riffs de guitarra cadenciados em meio às belíssimas melodias orientais, que estão bem a frente, muito acima dos “instrumentos Metal” e dão um toque já especial para a banda. “Braving The Seas” prossegue o álbum com uma levada um pouco mais cadenciada, aonde guitarra e teclado soam incríveis juntas, com destaque para o vocalista Zaher Zorgati que consegue criar melodias que insistem em ficar com você por dias. Aliás, pode ser impressão, mas há de se notar um certo quê de System Of A Down (misturado com Power Prog) em algumas passagens, não apenas aqui mas em vários momentos do disco. Em seguida, “Merciless Times” aposta nas batidas típicas daquele país e uma faixa mais melódica e calma, enquanto a faixa título “Tales Of The Sands” permeia mais o Prog Metal, evidentemente com todas aquelas marcas que já são do Myrath. E por falar no lado mais Metal, as evidências da influência do Dream Theater são jogadas na cara com “Sour Sigh”, mas cantado de uma forma que não se vê entre James LaBrie e Cia, e “Dawn Within”.

“Wide Shut” agrega ainda mais da música tradicional à banda, de forma que os sons inusitados voltem a figurar a frente na mixagem final, mas voltam a ser coadjuvantes em “Requiem For A Goodbye”, uma interessantíssima música, principalmente por ser uma espécie de ponto fora da curva no disco e apostar no lado quase Power Metal deles. “Beyond The Stars” é mais uma peça já típica do Myrath, inclusive cantadas no seu idioma e conseguem manter o nível do álbum lá em cima, e o ouvinte no transe desde o seu começo. Tanto que nem se vê que “Time To Grow” encerra o disco, de longe um dos maiores destaques, mesmo sem tantos elementos da música oriental.

Algumas pessoas reclamam do marasmo que virou o Prog Metal ultimamente. E decididamente, muitas bandas realmente caíram na mesmice, com bandas semi-recicladas surgindo entre o final da década de 90 e início dos anos 2000. Mas aparentemente, não apenas do Rock Progressivo, como o Metal vêm ganhando novos nomes que trazem algo realmente inesperado e inovador, que de alguma forma estão agregando mais e mais relevância a um estilo em aparente declínio. E o Myrath com certeza se encaixa nesse grupo, não a toa. A música deles, apesar de uma proposta aparentemente já feita por outras bandas, realmente tem um requinte único, e faz “Tales Of The Sands” figurar alto nas listas de melhores álbuns Prog de 2011.

Tales Of The Sands Myrath

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Tracklist

01. Under Siege
02. Braving The Seas
03. Merciless Times
04. Tales Of The Sands
05. Sour Sigh
06. Dawn Within
07. Wide Shut
08. Requiem For A Goodbye
09. Beyond The Stars
10. Time To Grow

Lineup

Zaher Zorgati – Vocal
Malek Ben Arbia – Guitarra
Anis Jouini – Baixo
Piwee Desfray – Bateria
Elyes Bouchoucha – Teclados
Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

Uma resposta para “Myrath – “Tales Of The Sands””

  1. MCP disse:

    Pra quem quer bandas na linha de Orphaned Land e Amaseffer, é um prato cheio.

    Essa banda é fantástica, e esse último álbum tem a dosagem certa de prog e folk, e uma produção invejável.

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