Progcast - Sua Dose Semanal de Rock Progressivo

Ligro – “Dictionary 2”


Para começar a esmiuçar o pacotão de discos que recebemos da Monjune Records, resolvi escolher um que me chamou bastante atenção por vários fatores. Um power trio de Jazz-Rock e Fusion que faz um excelente Progressivo vindo diretamente de Jacarta, Indonésia! Na estrada desde 2004, o LIGRO lançou no começo desse ano seu segundo disco de estúdio, chamado Dictionary 2, que junta uma porção de virtuosismo com influências que vem dos mais variados estilos entre eles Jimi Hendrix, Robert Fripp e Miles Davis (só para citar as mais latentes) com duas partes de animação e ritmo dando um toque quase latino em algumas partes do disco.

O disco abre com Paradox, uma música que exagera nos riffs de guitarras logo no inicio junto com viradas enérgicas da bateria de Gusti Hendy, que depois mostra o porque de ser o baterista mais famoso da Indonésia,  sabendo inverter o ritmo a todo momento sem perder a empolgação da música como um todo, lembrando muito algumas obras de Fripp.

Em seguida vem o que para mim é a melhor música do disco. Stravinsky é um rearranjo da peça “An Easy Piece Using Five Notes” do músico russo. Enquanto o baixo começa calmamente, ele na verdade está preparando uma sequência de ritmos variados sincronizados entre os três músicos que abusam de suas técnias e do Fusion para criar uma peça clássica completamente diferente, única, imprimindo ali o jeito LIGRO de tocar.

Future volta a um Prog Rock mais calmo, quase um post rock, com a guitarra de Agam Hamzah tomando conta e guiando a música por acordes suaves enquanto o baixo se encarrega de passar todo o feeling da música, sendo acompanhado de perto pela bateria mais tradicional de Hendy.

Don Juan é a música mais “latina” do disco, com momentos que realmente lembram acordes da MPB de Vínicus. Sendo uma das mais curtas com “apenas” seis minutos de duração.

Bliker 3 sai um pouco do senso comum do disco. Pela primeira vez, um piano é executado na primeira linha durante alguns minutos seguidos de muitas experimentações de Hendy na sua bateria e na guitarra de Hamzah, chegando inclusive a usar a microfonia em favor da música. É uma mistura baseado em muito ácido entre The Doors e Jimi Hendrix.

Étude Indienne caracteriza o porque do trio se auto denominar “um bando de malucos” (LOGRO ao contrário quer dizer OGRIL que significa “Pessoas Loucas” ao pé da letra no idioma oficial da Indonésia), são doze minutos de puro virtuosismo do seu lider e guitarrista Agam Hamzah, que no melhor estilo Fripp, domina a música com seus riffs e experimentações sem sentindo fazendo dessa uma boa suíte prog de verdade.

Miles Away é claramente uma homenagem aquele que foi a base do trio, Miles Davis. Um jazz rock curto e com uma batida que fica na cabeça por alguns momentos é um ótimo alivio para sair da loucura das duas últimas músicas.

E o disco termina com Transparansi, outro show de psicodelia e virtuosismo, dessa vez com a bateria se sobressaindo com suas  sequências altamente imprevisíveis, seguida de mais um show de experimentações de Hamzah e sua guitarra alucinada.

Com suas músicas longas, no melhor estilo que o Prog pede e suas váriadas influências, LIGRO é ideal para ouvir quando seu ouvido estiver pedindo um bom som instrumental baseado em psicodelia e uma ótima mistura de estilos musicais. Recomendadíssimo!

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Dictionary 2 Ligro

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Tracklist

01. Paradox
02. Stravinsky
03. Future
04. Don Juan
05. Bliker 3
06. Étude Indienne
07. Miles Away
08. Transparansi

Lineup

Agam Hamzah - Guitarra
Adi Darmawan - Baixo
Gusti Hendy - Bateria e percussão.
Rhamses

Palpiteiro de mídias sociais, Designer de interfaces, Podcaster e Microblogger. Apreciador de boa música, mas roqueiro acima de tudo.

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