Progcast - Sua Dose Semanal de Rock Progressivo

Flying Colors – “Flying Colors”


A essa altura do campeonato, pouco resta o que falar sobre o Flying Colors: a idéia inicial de Bill Evans em criar um projeto com músicos respeitados da cena, partindo da idéia de unir o talento de cada um deles para criar algo completamente novo, mesclando a complexidade do Progressivo, do Metal e do Jazz com um approach Pop.

Ele simplesmente conseguiu reunir Mike Portnoy, Neal Morse, Steve Morse e Dave LaRua, que junto com o vocalista Casey McPherson, em nove dias se trancaram em um estúdio, compuseram e gravaram o que viria a ser o debut do Flying Colors.

Os integrantes conversando no estúdio antes do começo de “Blue Ocean” já mostra o que é o Flying Colors: uma reunião de amigos. Ok, talvez não seja QUALQUER grupo de amigos, afinal de contas estamos falando de alguns dos maiores músicos da história do Rock, certo? Pois bem, o clima despojado, animado, com aquele acento do que foi o Rock no final dos anos 70 e no começo da década de 80 praticamente ditam o álbum inteiro, começando por essa faixa: uma linha continua de baixo servindo de guia para os ótimos arranjos de teclado e guitarra e as vozes de Casey McPherson, responsável pelo toque de modernidade a esse trabalho. Um peso maior aparece em “Shoulda Coulda Woulda”, com melodias bem legais e modernas, no melhor estilo “agradando-todo-mundo”, enquanto a balada “Kayla” consegue trazer uma nova roupagem àquela “cafonice” de músicas com nomes femininos que só as bandas de Arena Rock oitentistas conseguiam fazer. Brincadeiras à parte, é mais um momento bem agradável do disco, simples, direto e eficiente, assim como “The Storm”, um dos maiores destaques do álbum, chegando a lembrar bem de leve o Alter Bridge (principalmente se comparar os vocais com o de Myles Kennedy) e “Forever In A Daze”, com seu groove incrivelmente pegajoso. A bonita balada “Love Is What I’m Waiting For” consegue unir em poucos minutos as requintadas linhas de piano a lá Queen com a inocência e simplicidade da levada dos Beatles, daquele jeito que fisga o ouvinte imediatamente (que solo é esse, heim, Steve Morse?), assim como “Everything Changes”, uma música daquele jeito que os britânicos sabem fazer como ninguém (ou não, afinal de contas, o quinteto aqui é formado inteiramente por americanos).

Agora, sabem aquele Rock Progressivo bem atmosférico, tranqüilo, intimista, com letras e melodias que não prezam pela complexidade, mas sim pelo sentimento? Pois bem, é isso que é “Better Than Walking Away”, mais um dos grandes momentos do álbum, assim como “All Falls Down”, que basicamente chega ao disco distribuindo chutes: rápida e flertando bastante com o Metal. Mas o mais impressionante? Apesar do peso, as melodias vocais são softs, o que por incrível que pareça, encaixou muito bem. Em seguida, uma grata surpresa: Mike Portnoy se liberta de todas as amarras e assume os vocais na semi-bluesy “Fool In My Heart”, e não só canta apenas algumas das passagens mais legais do disco como uma das melhores músicas também (nada mal pra quem era criticado há alguns anos só por tentar fazer os backing vocal de James LaBrie). “Infinite Fire” fecha o álbum com seus 12 minutos do mais puro Rock Progressivo da escola do Yes, com direito a melodias vocais a lá Jon Anderson, timbre de baixo que parece realmente saído do Rickenbecker de Chris Squire, e aquelas passagens instrumentais bem própria do quinteto inglês no ápice da criatividade nos anos 70. Se havia algo que os fãs de Prog estavam esperando desse projeto, era essa faixa (não que o restante do álbum seja decepcionante).

Pelo histórico dos músicos, provavelmente muitas pessoas estavam esperando um álbum que remetesse direto ao ápice da megalomania Progressiva no início da década de 70. Pois bem, talvez o maior mérito de “Flying Colors” seja exatamente em não ser isso! Aliás, ele vai a frente e consegue apresentar no projeto vários elementos não apenas daquela época, mas também do Rock dos anos 80 e 90, e trazer para uma roupagem moderna, belíssima, sem soar exagerada em nenhum momento.

Flying Colors

Flying Colors Flying Colors

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Tracklist

01. Blue Ocean
02. Shoulda Coulda Woulda
03. Kayla
04. The Storm
05. Forever In A Daze
06. Love Is What I’m Waiting For
07. Everything Changes
08. Better Than Walking Away
09. All Falls Down
10. Fool In My Heart
11. Infinite Fire

Lineup

Casey McPherson – Vocal / Teclados
Steve Morse – Guitarra
Dave LaRue – Baixo
Neal Morse – Teclado
Mike Portnoy – Bateria
Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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