Progcast - Sua Dose Semanal de Rock Progressivo

Disperse – “Living Mirrors”


Mais uma banda do circuito polonês surgida nos últimos anos, o Disperse foi formado em 2007 e agrega influências que vão de Pink Floyd a Cynic, de jazz a música eletrônica, resultando em uma sonoridade que os aproxima em muito das bandas de djent, mas sempre com uma atmosfera carregada e uma interpretação dramática.

disperse-living-mirrors

Living Mirrors é o segundo álbum do quarteto e foi gravado no Studio X e produzido pelo próprio guitarrista Jakub Zytecki, marcando a estreia dos caras na grande gravadora Season Of Mist (a mesma do Septicflesh, Ghost Brigade, Solstafir, entre outras).

A bonita (e um tanto quanto longa) introdução Dancing With Endless Love não chega nem perto de dar alguma pista para o que está por vir em Enigma of Abode. Enquanto ela se aproxima um pouco do neo prog, a segunda faixa é um vigoroso prog metal com forte presença de riffs intrincados e efeitos eletrônicos, sem descambar para o esdruxulamente rasgado vocal característico de djent. Aliás, a própria voz limpa e melódica é um ponto positivo para criar a atmosfera flutuante por cima dos tempos complexos, tendência que se repete em Profane The Ground, faixa que remete em muito aos momentos mais tranquilos dos holandeses do Textures.

Depois do prelúdio Prana (seja lá qual seja o motivo de ter sido colocada no disco), Message From Atlantis está muito mais centrada no rock progressivo e no neo prog do que anteriormente, com passagens bem climáticas e uma excelente interpretação do vocalista Rafal Biernacki, que se mantém em Universal Love, faixa seguinte a WOW! e que consegue inserir sutis toques de jazz em meio aos caóticos ritmos da música. Porém, a dobrada Be Afraid Of Nothing e Unbroken Silver começam a deixar uma incomoda sensação, como se a mesma ideia estivesse sendo repetida desde os primeiros segundos do álbum: os ritmos complexos, as camadas eletrônicas e as melodias vocais parecem ter pouca, ou nenhuma variação, e mesmo com a inserção de alguns elementos diferenciados, não é o suficiente para cada uma delas ter uma identidade própria.

Touching The Golden Cloud quebra essa estranheza pelo andamento um pouco mais tranquilo e pelas pequenas variações na voz, seguida pelo interlúdio semi acústico Butoh, uma viagem tipicamente setentista que leva à balada Choices Over Me, que apesar do apelo razoavelmente forte no pop, deixa a impressão de estar faltando alguma coisa. Essa impressão continua no encerramento com AUM, faixa de nove minutos que, se não tem o resultado final comprometido pelo excesso de serenidade nas vozes, também não chega a ser memorável.

E exatamente esse é o ponto que atrapalha a audição de Living Mirrors: as faixas são bem construídas no quesito técnico e estrutural, da mesma forma que Biernacki tem uma ótima voz, porém, falta aquele fator de explorar as possibilidades ao máximo, buscando o melhor resultado, da melhor maneira possível. As músicas têm o seu potencial, e poderiam ser infinitamente mais interessante, mas no fim, em sua maioria, soam retas, incomodamente semelhantes e sem a emoção esperada. As boas ideias estão ali, só falta o aperfeiçoamento.

disperse-living-mirrors

Living Mirrors Disperse

123

Tracklist

01. Dancing with Endless Love
02. Enigma of Abode
03. Profane the Ground
04. Prana
05. Message from Atlantis
06. WOW!
07. Universal Love
08. Be Afraid of Nothing
09. Unbroken Shiver
10.Touching the Golden Cloud
11.Butoh
12.Choices Over Me
13.AUM

Lineup

Rafał Biernacki - vocal / teclados
Jakub Żytecki - guitarra
Daniel Kesler - guitarra
Wojciech Famielec - baixo
Maciej Dzik - bateria
Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *