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Dante – “November Red”


Em atividade desde 2006, os alemães do Dante vem despontando como um dos bons nomes do metal progressivo nos últimos anos, vertente que atingiu o seu ápice de saturação, assombradas por uma falta de criatividade e por prisão a conceitos musicais já estabelecidos.

Dante

Chegando ao terceiro álbum de estúdio, a banda assinou um contrato com a grande Massacre Records para o lançamento de November Red, o último trabalho com o guitarrista e baixista Markus Berger, que faleceu logo depois do término das gravações.

Mantendo a tradição dos álbuns anteriores, a faixa de abertura do álbum ultrapassa os dez minutos de duração, e é uma excelente introdução, seja para quem já está familiarizado com a sonoridade dos alemães ou para aqueles que estão tendo o primeiro contato. Com forte influência do metal progressivo europeu e agregando elementos do próprio power metal (convenhamos, algo natural se considerarmos de onde eles vem), Birds Of Passage tem um interessante desenvolvimento, com vocais extremamente carregados de emoção e uma bonita seção instrumental que remete diretamente ao rock progressivo atmosférico setentista. The Lone And Level Sands, apesar do ritmo quebrado, traz um andamento mais simples e cadenciado, ficando em um meio termo entre o Circus Maximus e o Circle II Circle em sua fase boa, enquanto a tranquila balada Beautifully Broken traz ótimas linhas de piano clássico, esbarrando bem de leve no gothic metal, com ótimos resultados graças às vozes dobradas.

E por falar em voz, o dinamismo alcançado pelo vocalista Alexander Göhs é o maior diferencial da banda, e principal responsável por The Day That Bled, que consegue ir um passo além na agressividade e no sentimento um tanto quanto soturno, e ainda assim remeter de forma mais evidente às bandas antigas (o uso do órgão ficou muito bem encaixado e contribui de forma notável para a singularidade da faixa). Shores Of Time resgata novamente as raízes do power metal germânico, aqui aparecendo mais a frente e originando uma interessante fusão, desde os riffs de guitarra bem oitentista, até o interlúdio épico aonde o piano de Markus Maichel rouba novamente a cena.

Bem atmosférica, Allan tem um início um tanto quanto inesperado, chegando a lembrar um pouco os momentos menos pastoris do progressivo italiano, com algumas inserções de música clássica aqui e ali, e por mais interessante que seja, por fim acaba soando deslocada em relação ao restante do álbum (mesmo a produção parece diferente). A faixa título, com mais de doze minutos de duração, encerra o álbum com maestria, e mesmo demorando um pouco para embalar de vez, o direcionamento épico e a forma como ele se desenrola soa natural, sem apelar (de forma muito exagerada) para as virtuoses incessantes.

O Dante sabe dosar os momentos de exploração individual e encaixá-los em prol do conjunto da música, pegando um interessante leque de influências, além de contar com o principal diferencial, que são os vocais de Göhs e a sua interpretação simples, mas excelentemente encaixadas no instrumental da banda. November Red não é revolucionário em nenhum aspecto, como já deve ter sido percebido, porém, a forma como a proposta é executada o tira do marasmo no qual o prog metal se encontra atualmente, aonde raras são as bandas que lançam trabalhos relevantes, ao passo que muitos grupos novos já surgem com o objetivo de soarem parecidas com banda D ou banda S, sem disposição para explorar novos caminhos e encontrar a sua própria identidade musical.

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November Red Dante

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Tracklist

01. Birds of Passage
02. The Lone and Level Sands
03. Beautifully Broken
04. The Day That Bled
05. Shores of Time
06. Allan
07. November Red

Lineup

Christian Eichlinger – bateria / arranjos orquestrais
Markus A. Bader – guitarra
Markus Maichel – piano / teclado
Alexander Göhs – vocals
Markus Berger – guitarra / baixo
Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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