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Cult Of Luna – “Vertikal”


Formada das cinzas da banda de hardcore Eclipse, o Cult Of Luna é uma banda sueca natural de Umea na ativa desde 1998, que vem se tornando um dos maiores nomes do post-metal ao longo da última década. Mesclando de forma magistral post rock, prog metal, sludge e pitadas de drone aqui e ali, a atmosfera criada pelo septeto é sempre carregadíssima, envolvendo o ouvinte em experiências que parecem entrar de forma caótica, e ao mesmo tempo bela, direto na mente, graças à combinação das texturas de três guitarras, inúmeras camadas de teclado, percussão e uma interpretação vocal agonizante, beirando o desespero.

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O sexto disco do Cult Of Luna, Vertikal, é o primeiro trabalho desde o cultuado Eternal Kingdom, lançado em um longínquo 2008, e ao contrário de seu antecessor, claramente tem um conceito definido, baseado no filme Metropolis, do diretor Fritz Lang, lançado em 1927. Não apenas refletindo nas letras, essas influências acabam atingindo diretamente também todas as estruturas musicais do álbum, de forma que a banda acaba por criar uma trilha sonora que se encaixa de forma impressionante com o esquisito sentimento da obra de Lang.

E essa sensação de estar em um cinema obscuro, de poltronas velhas e rasgadas, com um incômodo cheiro de alguma coisa que já morreu há muito tempo, já começa a surgir em sua mente quando os primeiros ruídos de The One aparecem. Uma perturbadora introdução para a desesperadora I: The Weapon, que soa como gritos agonizantes sobre antigas engrenagens monótonas, condenadas a funcionarem da mesma forma, no mesmo ritmo, eternamente.

O instrumental, principalmente no que diz respeito à percussão, é o principal responsável pelo andamento quase hipnótico, fator que se intensifica nos quase dezenove minutos de Vicarious Redemption. Atravessando mal iluminados corredores confusos, sendo bombardeado por imagens torturantes e traumáticas, até atingir o mais profundo caos: essas são algumas das imagens mentais que essa longa viagem proporcionam, que se cravam tão fortemente ao ponto de The Sweep, com seus ruídos eletrônicos exageradamente distorcidos, serem um alívio.

Isso, até Synchronicity e seu andamento quase robótico, artificial e pré-programado se iniciar, impressionando mais uma vez como o Cult Of Luna consegue explorar das mais dinâmicas formas as texturas das guitarras e dos sintetizadores sobre um ritmo praticamente estático. Para relaxar um pouco, a arrastada e melódica Mute Departure meio que liberta o ouvinte de dentro da máquina, graças às passagens um pouco mais amigáveis. Pelo menos o quanto eles são capazes de soar assim.

Como o som de uma caixinha de música, o sinistro interlúdio Disharmonia dá continuidade ao disco com In Awe Of, uma faixa nos moldes mais clássicos, remetendo diretamente ao post metal/sludge dos primeiros discos dos suecos, porém, com inserção de diversos efeitos sonoros, que além de encaixarem perfeitamente na sonoridade, manteve alinhada à estrutura do álbum. O crescendo épico com que ela termina deixa aberta a passagem para o loop infinito de Passing Through, momento mais tranquilo do álbum, que ainda assim traz aquela mesma sensação de estar preso a um ciclo, do qual você tem plena consciência de que jamais se libertará.

Um disco com mensagens e sonoridades positivas? Não, nem um pouco. Aliás, muito pelo contrário. O sentimento carregado simplesmente infecta a sua mente, e quando você menos percebe, o ritmo maçante, incessante e contínuo que serve como o pano de fundo para o conceito de Vertikal, está completamente emaranhado no seu cérebro, e você se sente perdido, apenas seguindo o fluxo e se tornando mais uma peça encaixada na máquina. Se essa é uma sensação terrível? Definitivamente. E é exatamente nesse nível de afogamento que o Cult Of Luna proporciona que mora a beleza do trabalho e o motivo de essa ser uma das mais interessantes experiências musicais pela qual você pode passar.

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Vertikal Cult Of Luna

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Tracklist

01. The One
02. I: The Weapon
03. Vicarious Redemption
04. The Sweep
05. Synchronicity
06. Mute Departure
07. Disharmonia
08. In Awe Of
09. Passing Through

Lineup

Johannes Persson - guitarra / Vocal
Magnus Lindberg - percussão
Erik Olofsson - guitarra
Andreas Johansson - baixo
Thomas Hedlund - bateria / percussão
Anders Teglund - teclado / samples
Fredrik Kihlberg - guitarra / vocal
Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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