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Circus Maximus – “Nine”


Uma das bandas mais cult do Prog Metal, os noruegueses do Circus Maximus praticamente já marcaram o seu nome entre os fãs do estilo graças aos seus dois ótimos álbuns “The 1st Chapter” e “Isolate”.

Aparentemente o processo de produção do seu terceiro disco iniciou no final de 2009 e por alguma razão só conseguiu ser finalizado mais de dois anos depois, resultando em “Nine”, que lançado via Frontiers Records, traz como proposta primordial ser mais melódico e mais “comercial” do que seus álbuns anteriores (como dito pela própria banda).

Lado mais acessível, ou talvez nem tanto assim, já que após a curta (e bem desnecessária) introdução “Forging”, “Architect Of Fortune” abre de vez o disco com uma faixa de mais de dez minutos. Comparando com os trabalhos anteriores, nota-se o andamento mais cadenciado (quase arrastado até, na realidade), sem abrir mão em nenhum momento da virtuosidade de sempre. Interessante à ênfase da produção na voz de Mike Eriksen e como as melodias vocais parecem ter sido colocadas em primeiro plano no resultado final, influenciando positivamente na proposta do álbum, com suas várias nuances atmosféricas e acústicas. Mais direta e próxima das antigas, “Namaste” traz a sutil influência de música oriental com boas sacadas líricas, enquanto “Game Of Life” chega a esbarrar no Hard Rock mais moderno, sem deixar de lado o Prog Metal melódico europeu já característico do Circus Maximus.

E evidentemente, o lado mais comercial da banda aparece forte no single “Reach Within”, com bonitas melodias, simples e muito, mas muito diferente do que eles já fizeram (o suficiente para torcer o nariz de alguns Proggers mais radicais), o mesmo acontecendo com o Prog Hard Power de “I Am”. E isso é negativo? De forma alguma, os noruegueses simplesmente provam de uma vez por todos que não precisam tocar todas as músicas da forma mais técnica possível para compor excelentes faixas. Mas para acalmar o ânimo dos mais nervosos, “Used” é um Prog Metal típico, com várias mudanças de andamento, ritmos complexos e as letras reflexivas.

Até porque, “The One” é mais uma que se aprofunda bastante no estilo mais Pop e mainstream, resultando em uma faixa universal, daquelas agradáveis de ouvir em qualquer situação, enquanto “Burn After Reading” retoma o lado mais Rock Progressivo do Circus Maximus, com excelentes partes acústicas em meio à megalomania virtuosa dos caras ao longo dos quase nove minutos de música. Não contentes, “Nine” termina com o épico “Last Goodbye”, aonde a banda consegue passear de forma mais do que natural entre a progressividade característica até os campos mais comerciais (por assim dizer), sempre utilizando os caminhos mais melódicos que tem em mãos, fazendo uma faixa uma das mais interessantes do álbum, por conseguir resumir de forma excepcional as intenções e a proposta na cabeça dos músicos.

Apesar de muito tempo fora do cenário (o que levou muitos a cogitarem se a banda não tinha acabado de vez), o Circus Maximus impressionantemente retorna com um disco equilibrado, talvez sem tanto do peso dos seus dois primeiros cultuadíssimos discos, mas flertando de forma inteligente com conteúdos musicais mais acessíveis, mostrando uma nova faceta tanto para os ouvintes de longa data quanto para os recém introduzidos ao seu som. Interessante notar que as influências mais óbvias para uma banda de Prog Metal, como Dream Theater, Queensyrche, Symphony X, aparecem aqui de forma mais tímida do que anteriormente, mostrando de uma vez por todas como as bandas europeias desse estilo construíram a sua identidade de forma tão sólida quanto às clássicas americanas.

Mais uma prova irrefutável de que é possível unir virtuosismo e sentimento em uma música só.

Circus Maximus

Nine Circus Maximus

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Tracklist

01. Forging
02. Architect Of Fortune
03. Namaste
04. Game Of Life
05. Reach Within
06. I Am
07. Used
08. The One
09. Burn After Reading
10. Last Goodbye

Lineup

Michael Eriksen – Vocal
Mats Haugen – Guitarra
Glenn Mollen – Baixo
Lasse Finbraten – Teclado
Truls Haugen – Bateria
Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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