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Borknagar – “Urd”


O Borknagar é um dos grandes nomes do Black Metal norueguês atualmente, principalmente por sempre ter tido a proposta de não se prender a rótulos, buscando no Folk e no Progressivo elementos que fizeram deles não apenas uma das mais criativas bandas da música extrema, mas entre todas as vertentes do Metal.

O sexteto chega ao nono álbum de estúdio com “Urd”, que segundo a banda é um termo que faz referência ao passado, algo que se torna muito evidente quando se analisa o background do disco e os conceitos nele abordados. Lançado no dia 26 de março pela Century Media, marca o encontro de algumas das mentes mais criativas e vanguardistas da história do Metal na Noruega.

“Epochalypse” abre o disco com a velocidade e peso que logo de cara remetem à época pré-Vintersorg, quando apenas ICS Vortex era o vocalista e também apresenta o novo direcionamento da banda: ênfase nos jogos de vozes, principalmente nas partes limas (algo natural, já que além dos dois citados, o tecladista Lars Nedland também contribui – e muito – nas linhas vocais), mesmo com o instrumental extremo. Porém, apesar de remeter ao passado, as composições de Oystein G. Brun sempre evoluíram a cada álbum, com a inserção de elementos hora mais extremos, hora mais melódicos ou Folk, e em “Urd” eles parecem ter sido levadas ao limite, uma versão definitiva do apresentado em “Empiricism” e “Epic”. “Roots”, a segunda faixa é algo que comprova isso, com suas diversas mudanças de andamento, um sentimento épico intimamente ligado ao conceito central do álbum, enquanto a belíssima “The Beauty Of Dead Cities” puxa para o lado mais Progressivo e Folk dos noruegueses, cantada apenas com vocais limpos. Mais arrastada e cadenciada, “The Earthling” mantêm o lado melódico em evidencia, com bem encaixados licks de guitarra e arranjos orquestrais (que sempre fizeram a diferença), assim como “The Plains Of Memories”, a sempre muito bonita instrumental que o Borknagar inclui nos seus discos, passando aquela sensação de estar navegando em meio a nevoa.

Com um sentimento bem épico, e flertando com o Viking Metal, “Mount Regency” é mais um grande momento do álbum, seguido pela gélida e incrível “Frostrite”, que encaixaria muito bem em qualquer álbum de Power Metal escandinavo ou até no próprio disco solo de ICS Vortex (e seria destaque absoluto em qualquer um dos casos). “The Winter Eclipse”, a oitava faixa é simplesmente um capítulo a parte em toda a história do Borknagar: não apenas é a maior faixa já composta pelo grupo (beirando os nove minutos), como ela é um resumo de todas as influências que eles inserem por partes nas suas composições: nuances de Black Metal, Progressivo, Viking, Power Metal, Folk, sempre com as ótimas melodias vocais e instrumentais. Ou seja, não apenas simbólica, mas também a mais completa composição entre todas. Encerrando o disco, bem atmosférica, “In A Deeper World” remete novamente a sensação de estar simplesmente boiando, em semi estado de consciência, em mar aberto.

Seria injustiça dizer que “Urd” é o maior álbum já composto pelo Borknagar, já que temos na história clássicos como “Empiricism” e “Epic”. Porém, sem a sombra de dúvida, ele pode ser colocado no mesmo nível destes trabalhos, de tão completo, dinâmico, bem composto e equilibrado que é. Evidentemente, é o que se espera quando quatro dos maiores compositores do Metal norueguês se reúnem em uma banda só, e a cada disco eles só provam mais e mais porque são uma das bandas mais criativas da música extrema.

Borknagar

Urd Borknagar

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Tracklist

01. Epochalypse
02. Roots
03. The Beauty Of Dead Cities
04. The Earthling
05. The Plains Of Memories
06. Mount Regency
07. Frostrite
08. The Winter Eclipse
09. In A Deeper World

Lineup

Vintersorg – Vocal
Oystein G. Brun – Guitarra
Jens F Ryland – Guitarra
ICS Vortex – Baixo / Vocal
Lars A Nedland – Teclado / Vocal
David Kinkade – Bateria (Atualmente no Soulfly – Foi substituído pelo baterista do Oceans Of Time, Baard Kolstad)
Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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