Progcast - Sua Dose Semanal de Rock Progressivo

Beardfish – “The Void”


Que a Suécia é um dos maiores celeiros de Rock Progressivo da história, é um fato inegável (particularmente, acredito que ficam apenas atrás da Inglaterra e da Itália). É impossível discordar também que algumas das mais criativas mentes musicais do Metal atual vem daquela região (principalmente depois dos anos 90), vide o movimento MeloDeath de Gotemburgo, as bandas de Stoner pós-2000 e as bandas de Progressivo, sempre em evidência.

Dentre essas bandas, o Beardfish é uma das mais incansáveis e dinâmicas, tendo lançado sete álbuns até agora em um curto período de tempo (apenas doze anos), sempre de qualidade impecável e figurando entre os destaques Progressivos na sua época. “The Void” é o sétimo álbum, apenas um ano depois do excelente “Mammoth” (uma ode a música inglesa dos anos 70), e agora com uma aura um pouco mais soturna, bem diferente.

“The magician looked into the future and saw nothing but the past repeating itself”.

Com essa frase o Beardfish faz a introdução do álbum para “Voluntary Slavery”, aonde já podemos notar um peso extra nas composições e um clima muito mais carregado e soturno nas melodias, se comparadas ao trabalho anterior “Mammoth” (com direito até a tímidos guturais aqui e ali), sem deixar o Rock Progressivo característico de lado por um segundo sequer. Explorando um pouco do lado mais Hard Rock e mesclando a passagens bem modernas (um contraponto ao clima bem RetroProg usual), “Turn To Gravel” traz uma banda sem medo de se arriscar em sonoridades mais alternativas. “They Whisper”, por outro lado, retoma as fortes influências do Prog setentista com um apelo teatral em evidência muito bem encaixado (sopros de Jethro Tull e Wishbone Ash em suas melhores épocas), enquanto os riffs metálicos de “This Matter Of Mine” novamente socam a cara do ouvinte graças à forma como o Beardfish consegue injetar doses cavalares de peso no Prog Rock.

Voltando para o lado jazzístico e clássico, “Seventeen Again” é um instrumental de quase oito minutos comandado pelas linhas de teclado e piano que praticamente “cantam” ao longo da música, fazendo a ponte até “Ludvig & Sverker”, destaque instantâneo lotado de melodias simples e extremamente eficientes. O peso absurdo volta em “He Already Lives In You”, cuja introdução lembra em muito o de bandas americanas modernas de Metalcore (e estilos parecidos). A impressão só muda quando as sempre ótimas passagens de hammond tomam conta da música e seu ritmo cadenciado e obscuro, soando como uma versão exageradamente Progressiva das bandas de Stoner Rock (muito boa, por sinal). E por falar nisso, “Note” é uma belíssima balada conduzida inteiramente no piano e digna de ser um daqueles momentos etéreos nos shows. Para encerrar o disco, o ritmo bluesy e atmosférico de “Where The Lights Are Low” mostra como o Beardfish optou por dividir “The Void” em dois lados bem distintos: o início mais agressivo, quase caótico, enquanto da metade para frente mantém a sua sonoridade mais clássica e tranquila, ainda que experimentando sonoridades diferentes, sempre deixando um clima soturno e carregado ao longo do álbum.

Mas o mais impressionante é como os suecos conseguiram lançar outro trabalho espantosamente consistente e bem diferente de “Mammoth”, que já foi um destaque entre os álbuns de 2011. Novamente explorando caminhos diferentes, não é a toa que o Beardfish é uma das bandas mais respeitadas no cenário Progressivo atual: eles não estão apenas repetindo o passado, mas sim conseguindo injetar uma nova roupagem na sua própria música e aumentando o escopo de influências que o seu “Ecletic Prog” contempla.

Beardfish

The Void Beardfish

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Tracklist

01. Introduction
02. Voluntary Slavery
03. Turn To Gravel
04. They Whisper
05. This Matter Of Mine
06. Seventeen Again
07. Ludvig & Sverker
08. He Already Lives In You
09. Note
10. Where The Lights Are Low

Lineup

Rikard Sjöblom – Vocal / Teclado
David Zackrinsson – Guitarra
Robert Hansen – Baixo
Magnus Östgren – Bateria
Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

3 respostas para “Beardfish – “The Void””

  1. Grande disco, talvez o melhor deles. Carregou muito a energia do último disco do Gungfly.

  2. Antonio Pedro disse:

    Engraçado suas resenhas, dá pra contar nos dedos quantos discos tem nota abaixo de 8, tudo é 'ótimo' pra vc

    Sem contar que esse site deveria se chamar Qualquer coisa cast, pq de Prog mesmo….

    • Rroio disse:

      Valeu pelo comentário Antonio Pedro.

      Tem uma explicação simples sobre as notas serem altas na maioria das vezes: nós tentamos falar sobre trabalhos que gostamos e achamos que podem despertar interesse nos leitores. Apenas eventualmente falamos de discos que não gostamos, geralmente quando pedem a nossa opinião sobre um lançamento.

      Quanto ao nome do site… Bem, o que você considera exatamente como Progressivo?

      Abraço.

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