Progcast - Sua Dose Semanal de Rock Progressivo

Neo Partus: Atheist – “Jupiter”


O Atheist é um típico exemplo daquelas bandas que dificilmente são reconhecidas pelo público não under-underground e mantém uma aura Cult ao redor de seus trabalhos principalmente por causa do excesso de complexidade e técnica, tornando tudo que ela lança algo dificílimo de ser assimilado e até mesmo compreendido.

Apesar de ter iniciado suas atividades em 1984 e lançado três álbuns até 1993, quando se separaram, a banda retornou em 2008 com os membros originais Kelly Shaefer e Steve Flynn, desta vez acompanhados do guitarrista Chris Baker e o baixista Tony Choy, mantendo praticamente intacta a base da banda e as características da sua música, um Death/Thrash vigoroso, mesclado aos bizarros ritmos latinos e muito Jazz Fusion.

Depois de dois anos, eis que “Jupiter”, o primeiro trabalho em 17 anos é lançado via Season Of Mist Records, produzido por Jason Suecof em parceria com a banda e a belíssima arte de Eliran Kantor, mas que acabou não sendo unanimidade entre público e crítica.

E o caos reina no trabalho inteiro, já demonstrado na desconexa “Second To Sun” (que levanta questões sobre como será executada ao vivo), em um patamar que ultrapassa as músicas mais tensas de Chuck Schuldiner. Em “Fictious Glide”, com maiores flertes com o Death Metal (alguns blastbeats espalhados aqui e acolá) é um dos momentos mais verossímeis do álbum, já que a sua estrutura é relativamente parecida com a de uma música normal, porém, “Fraudulent Cloth” serve para enterrar toda a esperança daqueles que ainda tentam entender toda essa baderna. “Live To Live Again”, em seguida poderia ser até lançada como single (se é que isso é concebível para uma banda dessas), pelo simples fato de ter um refrão identificável.

Um clima meio Heavy inicia “Faux King Christ”, mas a sensação melódica é enterrada com concreto graças ao trabalho no mínimo insano de Flynn na bateria (a impressão é que cada música é um improviso), também presente na Thrashy “Tortoise, The Titan”. O disco encerra com a cadenciada e mais soturna “When The Beast” (camadas absurdas de guitarra) e a senseless “Third Person”, onde o personagem principal é o baixo, responsável pela desarmonia que percorre a música inteira.

É assustador como uma banda consegue soar tão complexo, sem sentido, anti-comercial e violento como o Atheist. Outro senão deste álbum é a sua curtíssima duração (pouco mais de 37 minutos), talvez explicado pela incapacidade de uma mente normal compreender tamanha insanidade musical. Simplesmente não dá, não dá para entender NADA deste disco.

01. Second To Sun
02. Fictious Glide
03. Fraudulent Cloth
04. Live And Live Again
05. Faux King Christ
06. Tortoise, The Titan
07. When The Beast
08. Third Person

Nota 7

Neo Partus: Atheist – “Jupiter”

Tracklist

Lineup

Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *