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Iced Earth – “Dystopia”


Depois de todas as confusões que o Iced Earth passou desde a saída de Tim “Ripper” Owens, a volta de Matthew Barlow, o retorno apocalíptico com “The Crucible Of Man” e a sua nova saída haviam deixado as estruturas da banda um pouco abaladas. Mas considerando que o líder/chefe/tirano Jon Schaffer é quem comanda as coisas, ele rapidamente recrutou Stu Block, vocalista da banda canadense Into Eternity (também da Century Media, o que facilitou o processo).

A maior apreensão por parte dos fãs era como seria o novo trabalho de Iced Earth, já que a forma de Stu cantar na sua antiga banda eram completamente diferentes, caindo mais para o rasgado e gutural, o que não é utilizado na terra gelada, mas foi com a liberação da versão 2011 de “Dante’s Inferno” (o ápice criativo de Schaffer) é que todos começaram a enxergar uma luz no fim do túnel, e o mais importante, ela brilhava mais forte do que nunca.

Produzido no Morrisound Studios (assim como todos os outros da discografia), “Dystopia” ficou a cargo de Jim Morris e Jon Schaffer, como pode ser conferido nos webisodes que a banda foi liberando com o tempo. Aliás, a produção do álbum, é impecável, como sempre, trazendo novamente as guitarras para a frente e com os riffs inspiradíssimos conduzindo as músicas.

As marchas de guerra que dão início a “Dystopia” já podem assustar quem não esperava um trabalho épico, como os anteriores. Mas em alguns segundos, Jon Schaffer já começa a despejas seus riffs galopados na cara do ouvinte, mostrando que continua sendo um dos maiores riffmakers do Metal. Stu Block, assim como já havíamos conferido nas outras músicas, tem um estilo de cantar que transita facilmente do rugido grave a lá Barlow até os agudos cortantes a lá Tim Owens, provando de uma vez por todas que é a voz certa para o Iced Earth. E mantendo a tradição, é impossível não ficar com a música rodando in loop na sua cabeça, afinal de contas, que refrão grandioso abre o disco. Em seguida, “Anthem”, música que havia saído junto com o EP da revista Rock Hard tem aquele jeitão mais cadenciado (no qual o Iced vem apostando bastante desde o “The Glorious Burden” – especialmente a suíte final) e uma letra de superação muito legal, combinando muito com o momento que a banda vem passando. “Boiling Point” por sua vez, é uma pedrada que muitos fãs estavam sentindo falta, no melhor estilo “Disciples Of The Lie” ou “Jack”, curta, pesada e vocais otimamente encaixados, enquanto “Anguish Of Youth” é uma típica quarta música de um álbum deles: a balada com refrão pegajoso, perfeita pra se tocar nos shows. Interessante que é uma das primeiras músicas no formato um pouco mais atuais e mundanas, e um clima bem pesado. “V” tem um clima todo revolucionário, com direitos àqueles backing vocal de guerra, e assusta mais por mostrar um Stu Block ainda mais versátil dentro de uma só música, em alguns momentos fugindo de vez da sombra tanto de Barlow quanto de Owens. “Dark City”, a sua maneira, é um dos maiores tributos ao Iron Maiden que Jon Schaffer já prestou (afinal de contas, ele diz ser a maior influência), principalmente se considerarmos a fase pós-X Factor da donzela. Ouçam as passagens de solo da música e tirem suas próprias conclusões.

Em seguida, “Equilibrium” é uma música feita especialmente para os saudosistas (reclamões) do Iced antigo, uma música rápida, pesada, direta, o melhor soco na cara musical que se pode tomar: riffs precisos, vocais agressivos, passagens cantantes e solos bem encaixados, assim como a curta “Days Of Rage”, que soa como uma irmã mais nova de “Stand Alone” (do clássico “Something Wicked This Way Comes). “End Of Innocence”, a próxima, é mais uma balada, que consegue ser ainda mais bonita que “Anguish Of Youth” e com certeza vai abrir um sorriso na cara de muita gente quando estiver ouvindo o álbum, um belíssimo momento pra relaxar depois da seqüência de músicas destruidoras. A versão deluxe do álbum vem com algumas músicas bônus no meio do tracklist, que são “Soylent Green” e “Iron Will”. A primeira é uma música mais cadenciada, com um clima mais soturno, lembrando um pouco os três primeiros álbuns e o primeiro do Demons & Wizards. “Iron Will” mostra novamente o vocal mais natural de Block e como ele encaixa perfeitamente sobre as bases de Schaffer, principalmente nesses momentos mais melódicos e com tons um pouco mais altos. O sentimento épico volta mais uma vez com “Tragedy And Triumph”, que encerra o disco, lembrando já de cara algumas coisas do “The Glorious Burden”. E novamente é uma pegadinha, já que é uma música bem Speed e calcada no Heavy tradicional, sem espaço pra muito melodrama. Uma grata surpresa, principalmente para quem reclamava da certa falta de punch nos últimos álbuns (não me incluo nestes). O disco também traz um string mix (seja lá o que seja isso) da música “Anthem”, que basicamente não tem nenhuma diferença com a original a primeiro instante.

Aos reclamões e àqueles que ficaram choramingando com a saída de Barlow, depois com a saída de Owens, e depois de novo com a nova saída de Barlow, tá aí, “Dystopia” é a prova maior da força que é o Iced Earth e como Jon Schaffer ainda é um dos grandes compositores do Heavy Metal atual. Além disso, Stu Block comprovou o que se era esperado: a sua versatilidade vocal é assombrosa, preenchendo facilmente as lacunas deixadas tanto por Barlow quanto por Owens e, abrindo possibilidade para novos caminhos, se eles quiserem seguir. As letras também deram uma razoável mudada em relação aos três últimos trabalhos, saindo um pouco da ficção e dos temas épicos para algo mais atual, mais pessoal e subjetivo, como a muito não se via, mais um ponto positivo aqui.

Possivelmente a minha opinião é praticamente inválida, afinal de contas, o Iced Earth é uma das minhas bandas favoritas e gosto infinitamente de cada álbum deles, e “Dystopia” não foge a regra.

We must find our way!

01. Dystopia
02. Anthem
03. Boiling Point
04. Anguish Of Youth
05. V
06. Dark City
07. Equilibrium
08. Days Of Rage
09. End Of Innocence
10. Soylent Green
11. Iron Will
12. Tragedy And Triumph
13. Anthem (String Mix)

Line-up:

Stu Block – Vocal
Jon Schaffer – Guitarra (e todas as coisas mais que ele insiste em colocar que fez no encarte)
Troy Seele – Guitarra
Freddie Vidales – Baixo
Brent Smedley – Bateria

Nota 10

(Aviso importante: Esse review não tem sequer um pingo de imparcialidade!)

Dystopia Iced Earth

Tracklist

Lineup

Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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