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Foo Fighters – “Wasting Light”


Dave Grohl sempre foi um cara famoso no Rock Americano principalmente por ter sido membro do Nirvana na década de 90 e mais tarde, capitaneando a sua própria banda, o Foo Fighters, que vem emplacando hits e clássicos um atrás do outro desde o surgimento.

Depois da confirmação como um dos maiores nomes com o álbum “One By One”, seguido do duplo e exagerado “In Your Honour” e o estranhíssimo “Echoes, Silence, Patience & Grace”, a banda parece continuar sem medo de ousar, já que “Wasting Light” ao mesmo tempo soa como os trabalhos anteriores e parece caminhar para algo novo, estranho e único.

Gravado na garagem de Grohl, usando apenas sistemas analógicos para conseguir aquele som roots e sujo das décadas passadas, sendo “melhorado” apenas na masterização final. Outro detalhe importante é a volta de Pat Smear, guitarrista da formação original, ao line-up oficial, que agora conta com três guitarras.

Lançado pela RCA, o intuito da banda é lançar um vídeo para cada uma das músicas, uma ação publicitária basicamente dispensável, já que o álbum estreou em 1º lugar na Billboard, pela primeira vez na história do Foo Fighters.

Pois bem, a faixa de abertura “Bridge Burning” já começa o disco com os dois pés no peito e os mais desavisados podem ficar meio perdidos, pois ela lembra muito o Foo Fighters de outras épocas, e ao mesmo tempo não tem nada a ver, em grande parte pela sonoridade dos instrumentos, claramente mais sujos e vintage. “Rope”, a primeira música do disco liberada continua no mesmo pé: vocais suaves no verso e um refrão pegajoso, onde as três guitarras marcam presença. Logo em seguida, temos a balada dançante no melhor estilo Zeppelin com “Dear Rosemary”, que por sua vez não se parece nada com o sujíssimo Punk de “White Limo”, que é inteira cantada aos berros cheios de efeitos, nem com a sessentista “Arlandria”, com alguns sutis sopros de Red Hot Chili Peppers. A segunda balada do disco, “These Days” é uma daquelas músicas a princípio simples que ganham o ouvinte de cara e insistem em grudar durante dias na nossa cabeça, mas com uma letra bem pensada, diferente dos melodramas que vemos por aí.

“Back And Forth” novamente remete ao som da década de setenta, quase um Hard Rock em mid tempo, enquanto “A Matter Of Time” é basicamente uma música bem Foo Fighters, e até por isso mesmo, meio que deslocada no disco. “Miss The Misery”, lembra incomodamente algumas músicas do Muse, principalmente pelo timbre dos instrumentos, mais eletrônicos e metálicos, e “I Should Have Known” parece muito (mas MUITO mesmo) com o Pink Floyd dos anos setenta, em partes por causa dos belos dedilhados e das intervenções clássicas no meio dos versos. O disco encerra com “Walk”, mais uma balada, bem comercial e uma letra depressivamente interessante até, que novamente consegue pegar o ouvinte de cara (tocar nos créditos da palhaçada que é o filme Thor talvez tenha sido algo pensado).

Há controvérsias se esse é o melhor álbum do Foo Fighters ou não. Alguns mais nervosinhos vão dizer que os caras perderam a mão e não se parecem mais com o Foo Fighters radiofônico com músicas simples de outrora. Outros vão dizer que é muito interessante a banda continuar mudando o seu som, tornando o cada vez mais vintage e Rock’n’Roll. Particularmente, me encaixo nesse segundo grupo, e acho que “Wasting Light” é uma ótima demonstração de como a banda deve soar: natural e sem rótulos forçados.

01. Bridge Burning
02. Rope
03. Dear Rosemary
04. White Limo
05. Arlandria
06. These Days
07. Back And Forth
08. A Matter Of Time
09. Miss The Misery
10. I Should Have Known
11. Walk

Nota 10

Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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