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Deicide – “To Hell With God”


Glen Benton é um dos caras mais polêmicos da indústria musical dos últimos tempos. Seja a frente do Deicide com os álbuns cada vez mais extremos e letras cada vez mais blasfêmicas (que ainda ofende algumas pessoas), ou as suas atitudes um tanto quanto infantilóides (quem não se lembra da idéia de se suicidar com 33 anos?). Em todo caso, vamos focar na música, certo?

“To Hell With God” é o décimo álbum de estúdio da competente discografia do Deicide, que colocam-no como um dos grandes expoentes da música extrema mundial. E mesmo tendo sido lançado com dois anos de atraso, podemos dizer que toda a espera desde “Till Death Do Us Part” valeu a pena.

A faixa título abre o disco catastroficamente (todos os termos apocalípticos tem conotação positiva nesse review, saibam disso) com várias mudanças de ritmo, sempre mantendo a brutalidade acima de tudo, Porém, é gratificante ver que as bandas ainda conseguem soar extremas sem apelar para blastbeats infinitos e sem criatividade. E por incrível que parece, o ritmo do disco aumenta em “Save Your”, com riffs quase Thrash e Glen Benton mostrando uma versatilidade vocal acima da média (pra esse estilo, óbvio), assim como na seguinte “Witness Of Death”, com um dos melhores riffs de Death Metal dos últimos tempos, apostando na idéia de fugir das músicas ritmicamente retas. E falando em buscar novos ritmos, “Conviction” traz aqueles riffs perfeitos para destruir colunas, com uma levada de bateria no prato de condução (coisa que Vinnie Paul era perito) em mid-tempo, repetindo em “Empowered By Blasphemy”, que também tenta fugir da velocidade, apostando em ótimas passagens e candidata fácil a novo clássico do Deicide.

“Angels Of Hell” traz uma banda buscando novamente elementos de Thrash Metal (tem muito de Slayer e do novo Exodus nessa aqui), enquanto a genial “Hang In Agony Until You’re Dead” (nome absurdamente perfeito para o estilo) é praticamente uma ode ao Death Metal americano, que muda inesperadamente na metade (essas mudanças são marca registrada, aliás) flertando novamente com o Thrash Metal oitentista. E pra deixar o negócio mais extremo ainda, um que de Black Metal aparece em “Servant Of The Enemy” (em uma das letras mais brutais) e “Into The Darkness You Go”, que traz novamente a condução mais cadenciada perfeita para um mosh gigantesco na pista, além de versos para serem cantados com os fists-to-hell. Encerrando o disco, “How Can You Call Yourself A God” também figura como mais um highlight do disco, destruidora, apocalíptica, alucinante, que não te deixa sequer uma brecha para respirar e no final só sobram alguns ossos fora do lugar e dentes caídos no chão.

O Deicide mostra de uma vez por todas porque é considerado o maior nome do Death Metal americano atualmente. “To Hell With God” é um disco que não peca em nenhum momento nem tira as características da banda, aliás, o que acontece é exatamente o oposto: a inclusão de elementos diversos a brutalidade, que ampliam o que a banda pode fazer exponencialmente. Particularmente aqui, Jack Owen e Ralph Santolla (apesar de este já ter deixado a banda) estão apostando em passagens, licks, “melodias” e solos de guitarra milhares de luz a frente das centenas de outros guitarristas de música extrema por aí. Talvez as letras repulsivas podem incomodar algumas pessoas, mas não deixem essas maluquices atrapalharem vocês e perderem um dos grandes lançamentos do ano.

Um álbum que mostra como ampliar a mente para novas sonoridades, fugindo da mesmice e mantendo o seu lugar no panteão do Death Metal. Aprende aí, Morbid Angel.

01. To Hell With God
02. Save Your
03. Witness Of Death
04. Conviction
05. Empowered By Blasphemy
06. Angels Of Hell
07. Hang In Agony Until You’re Dead
08. Servant Of The Enemy
09. Into The Darkness You Go
10. How Can You Call Yourself A God

Nota 9

To Hell With God Deicide

Tracklist

Lineup

Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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