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Black Stone Cherry – “Between The Devil And The Deep Blue Sea”


Formado no estado de Kentucky, o Black Stone Cherry é um daqueles casos de bandas que estouram muito cedo e conseguem permanecer no equilíbrio entre o comercial e pesado, fazendo um som que realmente gostam. Se eu tivesse que começar com as comparações esdrúxulas já, eu diria que eles são uma versão moderna, mas menos técnica do Lynyrd Skynyrd (e me arrisco dizer isso falando em comparação a uma das minhas bandas favoritas).

Depois de assinarem com a Roadrunner Records (que pode ser considerada uma major no estilo), por onde lançaram os ótimos “Black Stone Cherry” (2006) e “Folklore and Superstition” (2008), e excursionar com o Nickelback na turnê do ótimo “Dark Horse”.

De acordo com os caras da banda, o terceiro álbum “Between The Devil And The Deep Blue Sea” é calcado em um tema central que pode unir todo o disco: sentimentos. E isso é palpável e claro durante a audição do disco. Produzido por Howard Benson (que já trabalhou com bandas como Daughtry, Three Days Grace e Theory Of A Deadman – todas de Post-Grunge), em Los Angeles, talvez explique o direcionamento mais leve, direto e até um tanto quanto mainstream que a banda optou nesse trabalho, lembrando mais as bandas citadas ali em cima, ainda que mantendo o diferencial do Southern feeling.

E prova maior disso é o carro-chefe do disco “White Thrash Millionaire”, que também é o primeiro clip de divulgação. Detalhe importante é que os vocais de Chris Robertson, que sempre foram um destaque, parecem ter melhorado ainda mais com o passar dos anos, criando uma identidade própria não apenas dele, mas de toda a banda. “Killing Floor” começa com uma levada bem puxada para o Post-Grunge, mas dá uma guinada para o lado contrário com mais um grudento e ótimo refrão (como todos devem ser e, nesse caso, de fato são!). E esse sentimento mais modernoso continua com “In My Blood”, que poderia ter saído de um dos discos atuais do Foo Fighters, enquanto “Such A Shame” soa meio que um Southern New Metal e tem uma das letras mais brutais do disco, e provavelmente teria sido um mega hit nas rádios se tivesse sido lançado uns 6 anos atrás. A primeira balada do disco é “Won’t Let Go” e é daquele maldito tipo que já te pega na primeira ouvida, tamanha melodia fácil tanto nos versos quanto nos refrões. A participação da vocalista Lzzy Hale com backing vocal bem encaixados dão um tempero a mais ainda. Por outro lado, “Blame It On The Boom Boom” é basicamente um Hard Rock oitentista, com um sentimento dos mais sacanas e descontraídos, como se transportasse o ouvinte para um daqueles saloons no meio do deserto dos EUA na época da Guerra Civil Americana.

E esse sentimento mais saudoso continua na balada “Like I Roll”, mais ou menos nos moldes líricos de “Things My Father Said”, mas perfeita para se dirigir em uma daquelas estradas retas sozinho. “Can’t You See”, em seguida, não tem uma levada Southern fortíssima à toa: é um cover da clássica banda The Marshall Tucker Band, lá do seu debut de 73, mas que não soa deslocada do resto do disco de forma alguma, até porque “Shake”, com sua levada impressionante nas guitarras tem forte influência do Southern Rock setentista. A próxima balada “Stay” tem uma letra mais padrão (com ÓTIMAS sacadas!), mas que é impossível ouvir sem cantar o refrão junto com o disco, até por que o ritmo acelera com a pesada “Change”, que por incrível que pareça, é perfeita para cantar com os fists-in-the-air. Mais uma balada, agora chamada “All I’m Dreamin’ Of” fecha o disco de uma bela forma, daquele jeito simplista de um típico sulista americano, e chega a ser impossível não imaginá-la sendo tocada ao vivo, só com um violão e milhares de isqueiros acesos na platéia.

Sim, esse álbum é comercial, mas de forma alguma isso quer dizer que seja ruim. Aliás, muito pelo contrário, não só é o melhor disco do Black Stone Cherry como é um dos grandes destaques do ano até agora, e que dificilmente acho que será superado. Até por que, as 4 baladas desse disco são basicamente insuperáveis.

01. White Trash Millionaire
02. Killing Floor
03. In My Blood
04. Such A Shame
05. Won’t Let Go
06. Blame It On The Boom Boom
07. Like I Roll
08. Can’t You See (The Marshall Tucker Band Cover)
09. Shake
10. Stay
11. Change
12. All I’m Dreamin’ Of

Nota 10

Black Stone Cherry – “Between The Devil And The Deep Blue Sea”

Tracklist

Lineup

Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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