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Amaranthe – “Amaranthe”


Uma banda que vem recebendo críticas positivas nos últimos meses (e que aparentemente surgiu do nada para os mais desavisados, inclusive este que vos escreve), o Amaranthe é um projeto inicialmente criado por Jake E Lundburg e Olof Mörck, ex membro do Nightrage.

Até onde podemos saber, o Amaranthe vinha atuando como opening act do Kamelot desde 2008 (a vocalista Elize Ryd – que lembra incomodamente uma mistura de Tarja com Amy Lee – é a vocalista feminina de apoio da banda de Thomas Youngblood) e tocando em diversos festivais antes mesmo do seu debut, o que nos leva a duas opções: uma banda com costas quentes ou pré-fabricada por uma grande gravadora.

Talvez seja maldade falar isso, mas não é “normal” uma banda lançar o seu debut internacionalmente pela Spinefarm/Universal, tocar com bandas clássicas e ter uma atração da mídia. Tá certo que o fato de terem um som mais comercial, quase Pop e uma variedade vocal invejável, muitas bandas tão boas quanto continuam a lutar pelo seu espaço no underground. Mas enfim, provavelmente isso não é culpa da banda, que faz muito bem o seu trabalho.

A abertura com “Leave Everything Behind” já dá as cartas de como o álbum caminhará: efeitos eletrônicos, harsh vocals mesclados com limpos femininos e masculinos muitíssimo bem encaixados (esse com certeza é a característica principal deles), criando melodias incríveis tanto no verso quanto no refrão. Sim, é MUITO POP, mas também é MUITO METAL. A música que é deu origem ao primeiro vídeo do álbum é a quase dançante “Hunger”, claramente chupada de Evanescence, mas que de forma alguma tira a qualidade da música, assim como na quase épica “1.000.000 Lightyears”, um pouco mais pesada e “sueca” nos riffs, mas ainda mantendo um pé no lado mais comercial da coisa, principalmente nas letras baratas e de fácil memorização. E dá-lhe mais música eletrônica em “Automatic” (não me admira se esse álbum for tocado incessantemente nas baladas escandinavas daqui um tempo) e “My Transition”, um momento que a falta de variação instrumental pode começar a atrapalhar um pouco, principalmente para quem está esperando um álbum de MeloDeath nos moldes mais tradicionais. Por sorte, a banda conseguiu encaixar “Amaranthine”, um mega hit no momento mais crítico do disco, claramente influenciado pelo Nightwish mais atual, quase uma balada, com melodias fantásticas (quase finlandesas), misturando piano com efeitos eletrônicos, cujo refrão fica meses na sua cabeça.

“It’s All About Me” volta a porradaria technotrônica lembrando um pouco uma mistura de Pain, Soilwork e Black Comedy, e se agrava na baladeira “Call Out My Name”, que consegue trazer até alguns sopros de Power Metal no meio. Mas lá pelas tantas, a audição já começa a ser prejudicada de novo com “Enter The Maze”: parece faltar uma maturidade para tentar algumas coisas diferentes nas músicas, até porque elas começam a soar muito parecidas entre si, sempre com uma melodia eletrônica ditando o ritmo das guitarras, verso, ponte e um refrão onde todos cantam juntos de mãos dadas, vide “Director’s Cut” e “Act Of Desperation”, que acabam soando apenas como mais uma no disco. O disco se encerra com “Serendipity” e… bem… é mais uma música.

O sucesso da banda pode ser sim devido ao apadrinhamento, mas é inegável que o potencial deles é enorme. MeloDeath com intersecções eletrônicas e Pop não é algo exatamente inovador, mas no caso do Amaranthe, é muito bem feito, atingindo não apenas os fãs da música mais extrema, mas também aqueles mais ligados aos Gothic Metal e até a quem nunca ouviu Metal na vida. A grande sacada deles foi lançar um álbum com muitas músicas, mas todas com 3 minutos de duração, mas ainda assim, parece faltar um pouco de desprendimento para arriscar em algo novo. Em todo caso, a primeira metade do disco é diversão garantida.

01. Leave Everything Behind
02. Hunger
03. 1.000.000 Lightyears
04. Automatic
05. My Transition
06. Amaranthine
07. It’s All About Me (Rain)
08. Call Out My Name
09. Enter The Maze
10. Director’s Cut
11. Act Of Desperation
12. Serendipity

Nota 8

Amaranthe – “Amaranthe”

Tracklist

Lineup

Rroio

Viking oriental colecionador de discos, músico frustrado e um eterno incansável explorador dos mais obscuros confins do mundo da música.

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